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Dribles incríveis, golos espetaculares, defesas impossíveis, jogadas de mestre. Tudo isto tem-nos sido transmitido diretamente do Brasil ao longo dos últimos dias, naquele que alguns já não hesitam em classificar como o melhor Campeonato do Mundo de sempre. Excluídos prováveis hiperbolismos, facto é que este Mundial é, tal como todos os outros o foram, uma montra de exemplos desportivos, sociais e humanos protagonizados pelos principais intervenientes do espetáculo e dos quais, naturalmente, é possível retirar algumas conclusões. Comecemos então pelo lado positivo.

Grécia e Argélia foram duas das boas surpresas da prova. Longe de serem candidatas ao título, ambas caíram de pé nos oitavos-de-final diante da Costa Rica e Alemanha, respetivamente. No caso grego apenas a lotaria das grandes penalidades ditou a eliminação, enquanto para a seleção magrebina o estoico esforço contra o gigante alemão apenas culminou em derrota após prolongamento. Mas que outra semelhança existe entre Grécia e Argélia? Simples: o facto de os jogadores de ambas terem prescindido dos prémios de jogo a que tinham direito em prol de causas nobres. Os gregos ditaram que o valor fosse investido na construção de um novo centro de estágios para a seleção, os argelinos preferiram doar a totalidade da quantia monetária acordada à carecida população de Gaza. “Eles precisam mais que nós”, foi a explicação dos argelinos. Mas nem todos pensam assim.

Ainda nem tinha começado a competição e já os atletas dos Camarões ameaçavam não embarcar para a terra outrora descoberta por Pedro Álvares Cabral se não lhes pagassem os prémios previamente definidos. Resultado? Três jogos, três derrotas, nove golos sofridos e ainda as lamentáveis cenas de quase-agressão protagonizadas por Assou-Ekotto e seu colega Moukandjo. No Gana a história foi semelhante, com Muntari, Essien e companhia a exigirem o pagamento dos respetivos prémios para entrarem em campo frente e Portugal. De referir que, pouco focalizada no objetivo de vencer, a talentosa formação ganesa abandonou o Brasil com apenas um ponto.

Um Campeonato do Mundo de Futebol é dos acontecimentos mais mediáticos que podem existir e talvez os maiores intervenientes do jogo devessem ter essa realidade bem presente nas suas consciências. Estimular birras por causa de prémios de participação enquanto milhares de pessoas dos seus próprios países passam fome é um insulto para os seus próprios povos e para todos aqueles que apesar de não receberem nem um décimo da quantia que todos aqueles craques ganham mensalmente continuam a trabalhar todos os dias em defesa do seu próprio sustento.

É por este motivo de devemos recriminar este tipo de atitudes e elogiar o gesto das seleções da Grécia e Argélia, não pelo seu valor material mas por todo o simbolismo que acarretam. Gregos e argelinos deram um exemplo para o mundo e saíram da copa com o estatuto de vencedores por tudo aquilo que representaram: a dedicação, o esforço, a perseverança e, acima de tudo, a solidariedade ficaram por eles gravadas na História deste Mundial e na memória de todos aqueles que conseguem vislumbrar a outra face do futebol. Porque o futebol de hoje já não é só bola na rede, mas sim um veículo transversal de difusão e propagação de valores capazes de pautar comportamentos a nível global.

Diogo Tabordadiogo-taborda-desenho-e1360007654750

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