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Golpe de teatro na Copa do Mundo. A dois passos do hexa o Brasil perde Neymar, o craque de uma geração de guerreiros onde o habitual futebol-arte brasileiro não têm sido tópico dominante.

A lesão do camisola 10 da canarinha nasce de um lance infeliz do colombiano Zuniga que apesar de crucificado em praça pública merece a minha defesa. Ao contrário de Fernandinho e Paulinho que autenticamente caçaram James – sempre com alguma descrição e inteligência, Zuniga foi imprudente e espalhafatoso quando atingiu de sola o joelho de Hulk e principalmente quando utilizou o seu joelho para travar Neymar.

Era evidente que o colombiano assim como a dupla de meio campo brasileira e o seu compatriota Carlos Sanchez, recorria à falta apenas para travar o jogo e não para magoar o adversário. A forma pouco inteligente com que abordou o lance resultou na lesão mas nada que pareça premeditado já que apesar de faltoso, Zuniga é um profissional respeitável.

A punição severa que o mundo do futebol pede para o jogador do Nápoles é tudo menos justa. Grande parte da culpa desta lesão deve-se à passividade da equipa de arbitragem que permitiu que os brasileiros estancassem qualquer iniciativa de James com faltas constantes e que os colombianos fossem pelo mesmo caminho nos ataques brasileiros.

Parece evidente que sem Thiago Silva – com tantas entradas severas de parte a parte levar um amarelo num lance em que só toca na bola, sem tocar no guarda-redes, parece irónico – e principalmente Neymar, o Brasil parte em desvantagem em relação aos outros semifinalistas.

Nenhum dos quatro tem se exibido de forma exuberante, todos têm uma estrela em grande destaque e contam com experiência nestas andanças.

Em termos de banco a Holanda vence de goleada. Louis Van Gaal tem mostrado ao longo da competição toda a sua valia táctica e inteligência a ler o jogo. Sem apresentar o futebol espectacular de outros tempos, a Laranja Mecânica tem sido sólida e aposta no momento expecional de Robben – claramente a par de James o jogador em melhor forma neste mundial.

A Alemanha continua sem apresentar a qualidade que o talento do seu elenco exige. Müller tem estado infernal – marcando e dando a marcar – e a equipa que transborda experiência e espírito competitivo, sem forçar muito, chega com alguma facilidade à sua 10ª meia-final nos últimos 13 Mundiais!

Nas aspirações argentinas a ausência de Dí Maria faz mossa, mas ainda há um tal de Lionel Messi. O rapaz das quatro bolas de ouro, suportado pelos numerosos adeptos argentinos e pela possibilidade de voltar aos títulos na casa do eterno rival, finalmente desencantou num Campeonato do Mundo e o temor de um novo Maracanazo já se faz sentir em solo brasileiro.

Na selecção de Scolari o futebol não tem sido famoso. A pressão incessante do meio campo e as movimentações constante do ataque parecem ter ficado perdidas pela Copa das Confederações.

Com excepção do último jogo onde finalmente a equipa se soltou um pouco mais, a tática tem sido: combate, bolas paradas e fé no Neymar.

A saída de Dani Alves – sempre perdido no ataque – equilibrou a equipa e a utilização de Fernandinho deu outra qualidade à saída de bola brasileira.

A pressão pela vitória canarinha é enorme: Felipão acalma Thiago Silva depois do emocionante duelo frente ao Chile.

A pressão pela vitória canarinha é enorme: Felipão acalma Thiago Silva depois do emocionante duelo frente ao Chile.

Veremos como a equipa reage à saída de Thiago Silva – Dante é um bom jogador mas está anos-luz da qualidade do capitão brasileiro – e principalmente quem será o substituto de Neymar.

William parece ser o elemento em vantagem, mas é um jogador diferente do avançado barcelonista. Organiza melhor o jogo mas não tem a explosão e poder de finalização do colega. Bernard pelas suas características seria o elemento mais parecido com o estilo de jogo de Neymar, contudo ainda está muito verde para estas andanças e neste momento Scolari deve lamentar profundamente não ter levado o irreverente Lucas do PSG.

Apesar do tridente ofensivo com William, Hulk e Óscar ser a possível primeira escolha de Felipão, não seria de estranhar que Luiz Gustavo, Fernandinho e Paulinho actuassem em simultâneo deixando Óscar e Hulk nas alas no apoio a Fred.

O médio ofensivo do Chelsea tem tido uma entrega ao jogo notável, mas está longe daquilo que o seu talento exige. A péssima forma física de Fred é notória e após uma óptima Copa das Confederações apenas na partida dos quartos-de-final voltou a ter uma prestação aceitável de verde e amarelo. Parece evidente que sem Neymar, o escrete dependerá muito daquilo que Hulk oferecer à equipa.

O Incrível na selecção tem sido sacrificado para libertar o talento de Neymar mas sem o colega terá liberdade para voltar à direita do ataque. Partindo para dentro e com espaço para desferir o seu forte pontapé, Hulk tem tudo para causar problemas ao central alemão Howedes – tem jogado adaptado a lateral – e para levar o Brasil, pelo menos, à final do Maracanã.

A ausência de Neymar é mais um rude golpe no grupo brasileiro que desde o início da competição tem passado por situações delicadíssimas. Antes da estreia frente à Croácia o seleccionador brasileiro perdeu um sobrinho num acidente trágico e durante a competição teve a infelicidade do falecimento de um cunhado.

Após o jogo com a Colômbia, o lateral Marcelo recebeu a triste noticia do desaparecimento do seu avô, o principal responsável pela carreira futebolística do jogador. Uma história bonita e muito curiosa:

Scolari não é tacticamente um super estratega, mas sabe melhor do que ninguém lidar com as emoções e os sentimentos dos jogadores. A pressão megalómana a que estes estão sujeitos para vencer o Mundial, a ausência do comandante e do craque da equipa no jogo mais complicado da competição, a juntar a estas situações infelizes envolvendo familiares dos atletas tanto podem ter um impacto negativo como positivo no grupo.

Os jogadores podem sentir as ausências dos colegas e a pressão enorme a que estão sujeitos e desabar emocionalmente, o que acarreta consequências no campo. Por outro lado as questões familiares e a ausência de Neymar e Thiago Silva – desfalcada dos dois jogadores mais importantes a equipa parte sem grande favoritismo e pode retirar alguma pressão dos ombros – podem aumentar a motivação do grupo e fazer com que faça das forças fraquezas e se transcenda rumo à vitória final.

A competição tem sido marcada pela emoção, veremos se o “Paizão” Scolari mantem a astúcia no campo humano e consegue que o impacto positivo prevaleça no grupo canarinho.

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SONY DSCBruno Gomes

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