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O espampanante «crash» sentido em 2008 nunca serviu de lição: o mundo financeiro continua a dançar a mirabolante dança da ilusão endinheirada, do crédito irreal, dos artifícios produtos financeiros e das secretas manobras «off-shore» que, para infelicidade do contribuinte, acabam sempre por dar à costa, como uma maré podre de crude que contamina por onde perpassa. A regra tem sido a da ultrajante reincidência – o pós «sub-prime» apenas caiu na cabeça dos Estados, subitamente, os indivíduos endividados malvados: tudo o resto permanece, louco, no seu devido lugar.

A banca continua a manobrar por detrás do pano, extorquindo e manipulando, brincando promiscuidades contabilísticas como se a matemática fosse ciência esotérica. A economia continua a da agiotagem, da especulação, roleta de apostas e dinheiros de papelada vendendo cifrões de ilusões, numa azáfama marginal que opera às escondidas do contribuinte, que, fatidicamente, acaba sempre por abrir a carteira para pagar pelos crimes e desvarios do sector financeiro – «mobster» da nossa modernidade sócio-económica. Enquanto os pistoleiros do sector rodam a roleta da nossa sorte, lucrando com o nosso azar futuro, os Estados encobrem os escândalos – um azar nunca vem só, caro contribuinte.

Depois do buraco espacial a que soou o BPN (não esquecer a sua SLN…), banco da promiscuidade político-financeira da nossa vergonha, foram várias as podridões que deram à costa nacional, provando que o sistema financeiro em que assentamos pés é um profundo mundo de areias movediças, onde nada é verdade e tudo só pode ser mentira. A divina hecatombe que assola o Banco Espírito Santo é o último capítulo da saga, novo atestado de gestão danosa, mentirosa e corrupta: o que se aproxima é um contexto de semi-nacionalização por intermédio de nomeações «laranjas» para a administração do banco moribundo. Teremos no futuro mais um buraco negro a sugar-nos o tutano?

No enxugar da fotografia só um ignorante falha o mais lúcido dos retratos: este modernaço capitalismo, todo estonteantes gráficos e teoremas de neo-liberalismo redentor, é um incomportável modelo de descalabro económico e financeiro, apenas funcional na medida da sua genética destrutibilidade. A alta finança, divina erudita dos mistérios bancários que ao comum mortal não assistem, é a fachada operacional do desastre sistémico que é esta economia de casino – dinheiro que não existe, contas que se cozinham, desvios de amigalhaço, prémios pornográficos para indigestos gestores, encostos de corruptibilidade promíscua com o Estadinho, rendas fixas da eternidade (EDP é só um exemplo entre muitos…) e muito silêncio à mistura.

No fundo, este capitalismo disfarçado de empreendedor é tão-somente uma caricatura risível e ridícula de um fedelho mimado que lucra chuchando na gigante teta do Estado, protegido pela sua sombra e respaldado das suas tropelias de gestão pelas rendas fixas que o pai-Estado lhe garante. Da Lusoponte até à EDP, o que não faltam são paradigmas do vício de boca que as empresas eternizam à conta do erário público: o mais irónico é que chega-se a privatizar o que é nacional para depois voltar a presenteá-lo com dinheiros públicos. Agora, no panorama, vislumbramos o inferno do Espírito Santo, que se esburaca à medida que as contas somam dívidas – que choque…eu, que nem sou católico, até sinto ânsias de me benzer: o Espírito Santo seja cego surdo e mudo.

O mais caricato e sintomático da promiscuidade inter-relacional que caracteriza o opaco corporativismo financeiro foi a compra de 900 milhões de dívida ao Grupo Espírito Santo (neste tempo de degredo contabilístico) pela PT, Grupo esse que detém o BES, incrivelmente, principal accionista da própria PT – dá para acreditar neste cambalacho de trapaças? Dá. Aliás, eu sempre acreditei no Espírito Santo e na forma bíblica como a família se habituou a encavalitar-se no Estado que somos todos nós.

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Bruno Cardoso desenhoBruno Falcão Cardoso

* O autor opta por escrever em desacordo com o Novo Acordo Ortográfico e em respeito para com a Língua Portuguesa.

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2 thoughts on “Você acredita no Espírito Santo?

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