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Não simpatizo com argentinos nem alemães e assim fica difícil assistir à decisão do Brasil 2014 com a emoção e apoio que uma final de Mundial merece.

Com a Alemanha e mais especificamente a Mannschaft, o meu ódio desenvolveu-se de maneira precoce. Mais precisamente no dia 6 de Setembro de 1997, num célebre Alemanha – Portugal, decisivo para o apuramento para o Mundial 1998.

Portugal era obrigado a ganhar, à Alemanha bastava um empate. A geração de ouro sem ponta de lança e com um ataque móvel com Figo, Rui Costa, Pedro Barbosa e João Vieira Pinto espalhava magia no Olímpico de Berlim. A supremacia portuguesa era gritante e aquilo que parecia impossível tornou-se real quando Barbosa tabelou com Figo e fuzilou Koepke. O sonho estava vivo mas esfumou-se quando a pouco mais de 10 minutos do fim da partida, Rui Costa caminhava para a substituição até ser expulso pelo francês Marc Batta. Justificação para o 2º amarelo? Demorou muito a sair e assim absurdamente se explica a única expulsão da sua carreira. 

Imaginem que estávamos a jogar contra o Cambodja ou Andorra, alguém tirava o “Maestro” de campo? Infelizmente para nós, era mais conveniente ter a Mannschaft no Mundial.

Adoro história contemporânea e ela, convenhamos, não é muito simpática com a Alemanha. A mania da Sr. Merkel de que somos colónia germânica e o espírito dominador com que se quer impor no nosso país ainda me afastam mais daqueles camaradas. Não sou louco ao ponto de não reconhecer a competência, organização e capacidade de trabalho dos atletas germânicos, contudo não consigo apoiá-los.

A minha incapacidade prende-se com algumas implicâncias:

 – Detesto Thomas Muller – o que tem de grande jogador, possui de criatura insuportável – sempre aos berros com tudo e todos sem que ninguém o ponha em sentido ou lhe chame a atenção;

– Tenho obviamente uma dose de azia elevada já que normalmente os germânicos maltratam as equipas que apoio – Portugal e Brasil;

– Sou um apaixonado pela história dos mundiais e a selecção germânica tem situações pouco abonatórias no seu passado na competição: “O Milagre de Berna” em 54, quando venceu o seu primeiro título, onde muitos atletas teriam jogado dopados; o jogo da vergonha em 82 frente à Áustria resultado combinado para apurar as duas equipas; ou a final do Mundial de 1990 onde um dos penaltis mais inventados da história deu – a 5 minutos do final do jogo – o tricampeonato mundial à Alemanha.

– São muitas coisas, mas acima de tudo não consigo viver o desporto sem sentir paixão. A Mannschaft por muito talentosa que seja vive o jogo com uma frieza útil, mas desprezível. Os jogadores goleiam adversários, batem recordes e vibram menos do que o escriturário quando marca um golo ao gordo da contabilidade ou quando mete uma cueca ao patrão, no futebol da empresa.

Amo o futebol pela paixão que vejo num Pippo Inzaghi – que já conquistou tudo na vida – a festejar um golo num amigável como se de uma vitória na final da Liga dos Campeões se tratasse.

A paixão e o sofrimento de Miguel Herrera no comando da selecção mexicana, a forma emocionante como a selecção chilena entoa o hino nacional, isso para mim é futebol: pressão, sofrimento, paixão, emoção, euforia e consagração. O que vejo naqueles onze germânicos é um grupo de robots incríveis que trabalham sensacionalmente e recolhem à base sem emotividade nenhuma.

Consigo perceber que pessoas com parentes, amigos e raízes germânicas suportem a Mannschaft, mas eu não consigo suspirar por uma festa previsível onde Joachim Low, como de costume, devora uns macacos do nariz enquanto os jogadores emborcam umas cervejas gigantes antes de comer salsichas e chucrute! Não aprecio a ementa e como bom latino gosto de lágrimas, sofrimento e comoção no momento da glorificação.

Esse meu desprezo pela frieza, lógica e calculismo alemão até me poderia levar a apoiar a selecção argentina. Contudo, apesar de gostar do futebol argentino, é quase impossível a um individuo com raízes brasileiras apoiar “nuestros hermanos”. Os adeptos do país das pampas são apaixonados, loucos da cabeça e fazem um espetáculo à parte em qualquer estádio do mundo, contudo têm um grande handicap: são argentinos.

A maneira mais clara de perceber a minha implicância com os argentinos é perguntar aos restantes vizinhos da América do Sul, qual é o povo que menos gostam no seu continente. Chilenos, uruguaios, brasileiros e companhia, todos vão apontar – unanimemente – argentinos!

Os anos 30 foram dourados para o país de Maradona e geraram no seu país um rasto de europeísmo e evolução que tardava nos vizinhos latino-americanos. A arrogância e sobranceria argentina vem daí. Infelizmente o retrocesso das décadas seguintes não foi acompanhado de um decréscimo de altivez e de uma postura nova, mais humilde. Ainda hoje os argentinos pavoneiam-se em guerrilhas por tudo e por nada: a Patagónia é nossa – atiram aos chilenos; a nossa carne é melhor que a vossa – dizem aos uruguaios; Maradona é maior do que Pelé, tango é melhor que samba e tantas outras tiradas destas que alimentam a escaramuça com os “macaquitos” – como pejorativamente chamam os brasileiros.

Eu sei que a ética e o fair play no futebol são uma treta mas tenho uma triste obsessão com esse tema. Também por isso não consigo apoiar os hermanos. Andam o Mundial inteiro a cantar uma música provocatória ao Brasil, relacionada com o Mundial de 1990 em que venceram a canarinha por 1-0 nos oitavos de final mas terminaram a competição sem vencer absolutamente nada. Qual é a lógica disto? É como se nós fossemos gozar com os espanhóis por que os vencemos no Euro 2004, quando depois perdemos a final com a Grécia!

Fora este preciosismo esse jogo de 1990 ficou marcado por um dos episódios mais negros da história dos Mundiais, quando elementos da formação argentina drogaram colegas de profissão do onze brasileiro através de uma água “baptizada”.

O jogo sofreu uma paragem e os brasileiros mais próximos do banco da Argentina – como é de praxe nestas situações – deslocaram-se ao banco argentino para pedir água e foram presentados com uma bebida especialmente preparada para a ocasião. Foi visível aos espectadores que por exemplo Branco – que passou pelo FC Porto – não estava bem fisicamente e sofreu com indisposições e constantes tonturas no meio do jogo. Imaginemos que no fim desse jogo teria sido chamado ao controlo anti doping? Provavelmente teria tido uma carreira mais curta…

A Argentina acabou por vencer o jogo, Maradona e companhia revelaram publicamente esta história, a FIFA nada fez e hoje os adeptos argentinos cantam com orgulho este triste dia. 

Como orgulhosamente defendem a “Mão de Deus” em 1986, quando Maradona eliminou a Inglaterra do Mundial do México com um golo de mão que todo o estádio viu menos o árbitro.

Em 1978, foi ligeiramente diferente. A ditadura militar argentina queria prover-se num evento desportivo e encontrou na FIFA um bom aliado para organizar o Mundial de futebol. O resultado só podia ser um, a vitória dos hermanos – e assim foi…

Nem que para isso, tivesse sido preciso subornar a boa equipa do Peru – liderada pelo ex portista Téofilo Cubillas – para que perdesse por mais de 4 golos e deixasse a Argentina ficar com o lugar do Brasil que já estava com um pé na final.

O Peru que tinha ficado em primeiro num grupo com a finalista Holanda, foi vergado por 6-0 num jogo onde recebeu no balneário a visita do presidente argentino – general Rafael Videla – e onde alinhou com quatro suplentes inexperientes e um defesa central a ponta de lança! No final acabou por receber além de uma quantia em dinheiro – segundo confirmaram anos depois, alguns membros da equipa – uma enorme doação de trigo argentino. Mais do que um jogo de futebol, o polémico encontro de 78 foi um acordo entre ditaduras.

Desculpem a picuinhice mas não sou daqueles que morre de amores pelas histórias do futebol argentino, como a mítica Bombonera, onde árbitro que não se cuide sai de lá devorado pelos adeptos do Boca Juniors. Não penso que no futebol valha de tudo e da mesma forma que os argentinos estão a encantar o mundo, enquanto vencem, duvido que percam pacificamente. Infelizmente é um retrato do futebol sul-americano e que no país das pampas chega aos píncaros.

Sei bem que Alemanha e Argentina têm muitas virtudes, mas este artigo serve para explicar alguns dos motivos porque desprezo as duas selecções. Vou assistir à final sem o entusiamo do costume e só me resta aguardar que venha o diabo e escolha.

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SONY DSCBruno Gomes

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