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Parece que ainda consigo ouvir as vozes dos entendidos em alta finança que o ano passado se pronunciaram com grande veemência e propriedade sobre o processo de reestruturação financeira levado a cabo no Sporting.

Na altura, depois de longos e penosos dias para todo o universo sportinguista, os momentos de tensão levados ao extremo por Bruno de Carvalho a propósito das duras negociações com banca e os credores do clube leonino, mereceram por parte da imprensa desportiva uma exaustiva cobertura mediática que foi sendo decorada com especial dramatismo pelos habituais experts de bola que gostam de falar sobre o assunto.

Quando já se ansiava por um Apocalipse verde e branco, depois daquela conferência de imprensa explosiva de Bruno de Carvalho, anunciando um extremar de posições com a Banca, o acordo lá acabou por chegar e intrigar os fanáticos licenciados em comentário desportivo.

Logo se partiu para uma série de teorias da conspiração sobre o improvável desfecho positivo das negociações, tentando desconstruir um processo com final aparentemente feliz para o clube de Alvalade a partir de contrapartidas e saques das instituições bancárias ao património e proveitos dos exercícios económicos da SAD leonina.

Apesar de muitas destas teorias corresponderem à verdade, todos sabemos da tendência natural de alguns jornalistas sediados há décadas nos seus gabinetes, a maioria deles felizes por trabalhar em prol das suas clubites de nascença, para aprofundar determinadas temáticas e fazerem-se de esquecidos em relação a outras.

Pois bem, fez-se eco dessas exigentes contrapartidas da Banca para renegociar a dívida e as suas condições de pagamento, para traduzir a condição de refém dos leões face aos credores. Basicamente ilustrando um cenário de derrota para Bruno de Carvalho, ao contrário da imagem de vitória veiculada pela sua equipa.

Neste universo de temíveis e horrendas criaturas “credoras”, palavra usada e abusada pelos especialistas para enfatizar a difícil situação financeira dos leões, consta uma por hoje badalada instituição financeira cuja influência – descoberta agora a pólvora – parece não se cingir aos endividados de Alvalade. Apesar do défice animalesco, do recurso a intermináveis e consecutivos pacotes de endividamento, e da permanência de principescos e insuportáveis níveis de custos e investimento, existem clubes cujo sobreendivimento é, por outro lado, desvalorizado.

É que como o Sporting deve muito e gasta pouco, tem a corda na garganta – pensa ou quer acreditar a imprensa. Mas os outros que devem ainda mais e gastam essencialmente o que não têm estão financeiramente equilibrados, assim garante o seu presidente e os seus intermináveis milhões de adeptos – pensavam eles.

Acontece que este não é o nosso futebol, e esta não é a vida real. A flutuação dos mercados e a recente crise no BES é apenas uma amostra disso mesmo. Mas já antes, muito antes sequer da grande crise financeira, em 2008, havia um clube com um passivo astronómico que investia milhões e milhões de euros em reforços sem qualquer retorno. E que se endividava de ano para ano, apesar das tretas do seu presidente.

Como os jornalistas e especialistas têm a tal tendência para investigar só o que lhes convém, preferiam acreditar na carochinha de Luís Filipe Vieira e acreditar que o Benfica, ao contrário do Sporting, era um clube financeiramente estável e sem qualquer tipo de dependência face aos seus…parceiros. Sim, porque no Benfica não se fala em “credores” e muito menos em Banca, isso não existe. As pessoas a quem o Benfica deve dinheiro chamam-se “parceiros”.

Os parceiros do Benfica, mais uma vez ao contrário do que acontece no Sporting, não “exigem” a venda de jogadores. Eles apenas sugerem. Sugeriram em janeiro a venda ao desbarato de Matic, sugerem agora o desmantelamento do onze de Jorge Jesus pelos milhões que forem aparecendo.

Se no ano passado as vendas de Ilori e Bruma se deram pela tal “obrigatoriedade” de arrecadar 10 milhões de euros por ano em vendas de activos, por “ordem da Banca”, no Benfica as vendas acontecem simplesmente porque Luís Filipe Vieira quer. Às vezes (nunca) os “jogadores só saem pelas cláusulas de rescisão”, outras só são negociados porque o Benfica já não quer contar com os seus serviços.

A política de redução de custos seguida pela nova direcção do Sporting, que obviamente se tornará inevitável para os outros dois falsos-ricos do futebol português, é no entanto argumento de chacota que os especialistas gostam de utilizar para se alienarem da realidade igualmente dramática dos seus clubes do coração. “A grave situação financeira dos leões”, “os depauperados cofres leoninos”, dizem eles, ao mesmo tempo entusiasmados pelos milhões de euros fictícios investidos pelos seus clubes em “novos craques” para o futebol português.

Enquanto se vão regozijando com os “milhões sérvios” gerados neste mercado (a maior parte deles consumidos pelos “parceiros”), vão também distraindo a massa adepta com um cenário financeiro totalmente fictício. É, apesar disso, mais uma demonstração objectiva da vergonhosa parcialidade da imprensa desportiva portuguesa. Mas quem já há muito percebeu qual o rumo certo a seguir, não se há-de importar muito com isso. 

 

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???????????????????????????????André Cunha Oliveira

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