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No reinado de Pinto da Costa, o FC Porto habituou os seus adeptos a ser ágil e astuto no mercado de transferências. As políticas e apostas, normalmente, são certeiras e reflectem o estatuto actual do clube.

Por exemplo, raramente os azuis e brancos apostam em treinadores estrangeiros. Por norma apostam em jovens nacionais em ascensão ou comandantes menos dispendiosos, principalmente quando estão em maré de vitórias.

Licá e Josué foram alguns dos reforços medianos da época passada

Licá e Josué foram alguns dos reforços medianos da época passada

A fase menos positiva leva à busca por nomes mais consagrados e foi a quase derrota do título de 2012/13 que fez com que Mano Menezes – acabado de abandonar a selecção brasileira – tivesse firmado um pré-acordo para ser o sucessor de Vítor Pereira. Kelvin mudou até o destino do conterrâneo brasileiro – como Menezes assumiu publicamente – e o investimento de peso deu lugar a Paulo Fonseca e a modestas compras internas.

Pinto da Costa e a sua trupe, quando sentem que a hegemonia pode ser quebrada investem a sério para voltar a reinar e essencialmente para evitar qualquer tipo de novo domínio no futebol português.

No início dos anos 2000 foi assim que Mourinho aterrou nas Antas varrendo todos os bons valores da liga nacional e ganhando a corrida aos rivais por estrangeiros valiosos como McCarthy, Jankauskas e Carlos Alberto.

O primeiro título de Jesus à frente do Benfica era o momento ideal para os encarnados definitivamente regressarem à liderança do futebol nacional. O que se viu depois foi um filme repetido.

Mesmo afastado da Liga dos Campeões o FC Porto de André Villas-Boas investiu fundos e mundos, formou um super plantel e conquistou Campeonato, Taça de Portugal e Liga Europa. Mais de 30 milhões gastos em Otamendi, João Moutinho, James, Walter e Souza que surpreenderam o país – pela ausência da liga milionária – mas que encerraram a reação benfiquista, já que nem na época de vacas magras de Vítor Pereira os encarnados obtiveram sucesso.

Na última temporada confiando no sucesso dos investimentos cirúrgicos – mas dispendiosos – e no mercado interno, o Porto de Paulo Fonseca repetiu os erros que obrigaram Vítor Pereira a reciclar veteranos como Lucho Gonzalez, Izmailov e Liedson.

Liedson e Izmailov em fase decadente foram resgatados pelo FC Porto

Liedson e Izmailov em fase decadente foram resgatados pelo FC Porto

A equipa iniciou a época desperdiçando o talento de Kelvin e Iturbe, ignorando a ausência de alternativas aos laterais e em janeiro foi obrigada a resgatar um esquecido Quaresma.

Este ano a banda – leia-se direcção – é a mesma mas a música é outra. Os dragões estão rápidos, vivos no mercado e a compor um plantel desportivamente incrível. Em termos financeiros os negócios portistas estão longe de ser positivos mas a é inegável a qualidade dos elementos que chegam. Apostas para compor plantel como Ricardo, Evandro, Opare e Sami dão qualidade a baixo custo a um banco de suplentes que na temporada passada penou com apostas furadas como Licá e Josué.

Pinto da Costa não quer perder o comboio da frente para o campeão Benfica e o renascido Sporting e decidiu investir todas as fichas em nomes de qualidade mesmo sem a certeza de garantir os milhões da Champions.

Não se discute a enorme mais-valia de Oliver, Casemiro, Tello, e Adrian mas a forma como estas contratações se processaram denota uma fragilidade financeira e alguma inabilidade negocial, nada usual no emblema azul e branco.

Óliver Torres um talento que o FC Porto pode potenciar e perder sem retorno financeiro

Óliver Torres um talento que o FC Porto pode potenciar e perder sem retorno financeiro

Oliver ao chegar sem opção de compra pode brilhar intensamente e no final da época regressar a Madrid sem qualquer retorno financeiro para o FC Porto que é obrigado a regressar ao mercado. Casemiro e Tello apesar de terem opção de compra são empréstimos muito dispendiosos que podem não dar em nada caso os clubes de origem decidam resgatá-los para integrá-los nos quadros ou vendê-los a terceiros de forma muito lucrativa. O caso do jovem espanhol que aufere cerca de 3 milhões de euros por época, é particularmente descabido do ponto de vista financeiro. Pelas duas épocas de cedência, os azuis pagam 4 milhões de euros e ficam com uma cláusula de opção de 8 milhões de euros. Até aqui tudo normal, não fosse o facto do Barcelona poder resgatar o jogador sem pagar nada ao Porto anulando ainda a clausula de opção portista. Ou seja o clube de Pinto da Costa está a valorizar jogadores dos quais pode ter retorno financeiro zero.

O negócio Adrian tem questões muito discutíveis. Os azuis e brancos pagaram 11 milhões de euros por apenas 60% do passe do atleta, segundo esta avaliação o internacional espanhol vale neste momento 18,3 milhões de euros, o que convenhamos não corresponde à realidade. Com este custo elevado e prestes a fazer 27 anos, será muito complicado ao FC Porto rentabilizar esta contratação.

A chegada do internacional holandês Bruno Martins Indi foge a esta lógica e é um negócio que do ponto de vista desportivo e financeiro tem tudo para dar certo. O FC Porto gastou 7, 7 milhões por todo o passe do defesa central e sendo ainda um jovem valor, tem condições para oferecer mais-valias aos cofres azuis.

Bruno Martins Indi, a única contratação de peso dos dragões dentro dos padrões normais.

Bruno Martins Indi, a única contratação de peso dos dragões dentro dos padrões normais.

Para além destas contratações falta confirmar a chegada do argelino Brahimi – num negócio de aproximadamente 8,5 milhões de euros – e possivelmente do defesa espanhol Ivan Marcano.

Com opções como Danilo, Alex Sandro, Casemiro, Herrera, Oliver, Adrian, Tello e Jackson com Brahimi e Quintero à espreita o Porto apresenta um plantel fortíssimo e com as opções que faltaram aos últimos planteis. Será interessante perceber o papel de elementos até aqui indiscutíveis como Quaresma ou Varela.

Em resumo, de forma rápida e com diversos jogadores muito acima da média, o FC Porto praticamente fechou o plantel dando tempo a Lopetegui de incutir as suas ideias num grupo versátil e talentoso. Se financeiramente os negócios são demasiado discutíveis – até pela incerteza quanto à presença na Liga dos Campeões – desportivamente os azuis e brancos, em termos de reforços, estão vários passos à frente dos rivais de Lisboa.

Veremos como será a nova época azul e branca, mas uma coisa é indesmentível: em mais um momento de possível ascensão de um rival, o FC Porto – como manda a sua tradição – investiu pesado para regressar ao topo do futebol português.

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SONY DSCBruno Gomes

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