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Amantes do cinema, não se entusiasmem. Este artigo não tem nada a ver com filmes de pancadaria do Stallone. Basicamente, resume-se a jogadores de futebol. São eles que vestem os trajes de mercenários do mundo moderno. É evidente que o dinheiro é importantíssimo, afinal está em causa uma actividade profissional e a de um atleta de alta competição tem um curto prazo de validade.

O que choca nos profissionais de futebol é a forma como assinam contratos milionários e meses/anos depois dispõem-se a abandonar os postos de trabalho como se nada fosse. A memória dos atletas é muito selectiva, rapidamente apaga os chorudos prémios de assinatura e as quantias dispendiosas que as entidades que os empregam tiveram de suportar para adquiri-los. Isto para não falar das cláusulas de rescisão que exorbitantes ou não, assinaram de boa vontade. Os agentes surgem aqui como uns milagreiros que colocam os seus atletas em clubes com longos vínculos contratuais e que mediante a disposição do jogador e os euros que o talento do mesmo lhe possa proporcionar, fazem todo tipo de artimanhas para levar a entidade patronal à exaustão até satisfazer os seus desejos.

Os casos Rojo e Slimani são mais do mesmo no panorama mundial do futebol. Como estes dois, tantos outros pressionaram os seus clubes e fizeram birras constantes que lhes valeram mais uma renovação choruda ou a tão desejada carta de alforria para o exterior.

Luisão, Moutinho ou Álvaro Pereira são apenas alguns dos atletas que não saindo dos seus emblemas e depois de muito choradinho na imprensa clamando por novos destinos, ficaram com contratos muitos mais vantajosos. No exterior é práctica comum – o Real Madrid é o melhor exemplo – que atletas cobiçados expressem constantemente a vontade de sair, se recusem a treinar e criem atritos até chegarem ao novo destino.

Modric, Bale e Coentrão três contratações onde o aliciamento e as pressões aos clubes vendedores foram imagem de marca do Real Madrid

Modric, Bale e Coentrão três contratações onde o aliciamento e as pressões aos clubes vendedores foram imagem de marca do Real Madrid

Quem não se recorda das contratações de Coentrão, Modric, ou mais recentemente Gareth Bale? Nem o melhor jogador do mundo escapou a estes tristes momentos quando trocou Manchester por Madrid. Foram quase dois defesos de uma deprimente pressão para “concretizar o meu sonho” que tiveram o seu ponto alto quando o sabichão Josep Blatter classificou CR7 – à época um dos 3 jogadores mais bem pagos do mundo – como um escravo dos tempos modernos.

Em todos estes processos há coisas que me fazem imensa confusão: como é possível na imprensa saírem informações – muitas vezes disponibilizadas pelos intervenientes do negócio – do género “clube y e jogador já chegaram a acordo só falta fazer a proposta ou chegar a acordo com clube x”. Isto é aliciamento claro e promiscuidade entre agentes, jogadores e clubes interessados ao qual a entidade que regula o futebol fecha totalmente os olhos. Respeitar as regras quando se trata de lavar uns milhões de milionários monhés, de mafiosos russos e de yankies avariados, não dá muito jeito à FIFA.

Já que os jogadores não tencionam respeitar o que assinaram de livre e espontânea vontade e não se preocuparam em negociar cláusulas mais racionais que no futuro lhes permitam outros voos deixo aqui algumas sugestões para resolvermos este flagelo:

1 – Apesar do desporto fugir do campo da justiça civil, uma legislação mais apropriada ao futebol deveria ser adoptada pelos regulamentos da FIFA. Imaginem o que aconteceria a um trabalhador comum que se recusasse a trabalhar porque tencionava mudar de ares? Atletas que o fazem merecem pena disciplinar e pecuniária determinada numa regulamentação pré-definida já que se um clube incumprir com o atleta tem normas estabelecidas para o penalizar.

2 – Empresários e clubes que negociem jogadores contra a vontade da instituição detentora do passe, façam pressão pública e usem de esquemas de aliciamento para pressionar o emblema a liberar o atleta deveriam ser severamente punidos. O exemplo madrileno é gritante: todos os anos os merengues usam deste estratagema e até à última são bem-sucedidos vencendo por cansado a instituição vendedora sem que qualquer punição seja aplicada.

3 – São casos raros os atletas que respeitam o seu contrato e saem livres no final do mesmo. O facto de não quererem renovar é mal visto dentro dos clubes, mas a verdade é que estão a respeitar aquilo que assinaram e têm o direito de cumprido o acordo rumar a outras paragens. Muitos clubes encostam os jogadores que não pretendem renovar e isso também deveria ser analisado de outro prisma já que colocar à parte um profissional – que obviamente tenha respeitado e produzido na instituição – porque pretende dar outro rumo ao seu futuro não é justo.

4 – Portugal atrai muitos atletas que apenas vêm o nosso país como trampolim para outros palcos. Querem ficar por cá no máximo 1/2 anos, contudo assinam contratos demasiado longos. Deveriam negociar cláusulas de saída anuais e não um exorbitante montante fixo durante todo contrato. Imaginemos que no primeiro ano a cláusula de rescisão seria de 40 milhões, no segundo 30 e no terceiro 20. Era uma forma de proteger os interesses do clube que não perderia os jogadores cedo e dos próprios atletas que poderiam sair de forma mais fácil e caso ficassem levariam os clubes a renegociar os seus contratos de forma mais generosa.

5 – O Barcelona é um dos clubes mais atraentes do mundo para um jogador de futebol, mas como sabemos, salvo raras excepções, raramente faz transferências demasiado exorbitantes. Seria interessante criar cláusulas contratuais que permitissem aos jogadores rumar a clubes realmente de topo por valores satisfatórios. Por exemplo um jogador pode ter uma cláusula de rescisão de 30 milhões de euros mas tem uma cláusula no contrato que lhe permite depois de dois anos de contrato rumar por 20 milhões de euros ao vencedor da Liga dos Campeões/dois primeiros classificados da Premier League ou La Liga. Uma medida que ajudaria a controlar a ganância excessiva dos clubes perante o surgimento de emblemas de renome e que não cortaria as pernas – financeira e desportivamente – aos atletas. Por exemplo, Bruno Alves depois de vários anos no Dragão viu o FC Porto recusar 20 milhões do Barcelona de Guardiola – portistas exigiam 25 milhões – para um ano depois rumar ao Zenit por 22 milhões.

Em suma, percebo o caso Rojo, está a começar a terceira época de leão ao peito e tem em Manchester a oportunidade de uma vida. Contudo o comportamento do jogador foi deplorável. O caso Slimani é ainda mais patético já que chegou há um ano, tem clubes medíocres – mas abastados – no seu encalço e pretende um aumento para cumprir o contrato que tem em vigor ou então livre- trânsito para rumar a outras latitudes.

Ao castigar os jogadores, Bruno de Carvalho dá uma imagem de força e exigência para o grupo de trabalho, mas como todos sabemos prejudica a equipa que fica privada de dois dos seus principais jogadores. Está a fazer correctamente o seu papel, mas será que conseguirá marcar uma ruptura com estes comportamentos dos novos mercenários? Não sei, mas creio totalmente que não. No final os timings do mercado, as necessidades de tesouraria e a falta de ambiente para a continuidade dos jogadores obrigará o Sporting a ceder às pressões dos atletas e vendê-los mesmo contra a sua vontade. Se não os vender, em último caso, terá de renovar as suas condições salariais para que estes permaneçam mais satisfeitos e dessa forma os “profissionais” sairão sempre a ganhar.

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SONY DSCBruno Gomes

2 thoughts on “Mercenários

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