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Nada como a clareza dos números e dos factos para esclarecer toda e qualquer dúvida. Foi publicado nos últimos dias o relatório de contas anual da Sporting, SAD, e os resultados apresentados são mais do que suficientes para o elogio que se segue.

Mas antes do elogio, a ressalva. A estratégia comunicacional traçada por Bruno de Carvalho tem surtido efeito, sem quaisquer sombra de dúvidas, na maior parte dos casos. O estilo, por mais criticável que possa ser, tem trazido muito mais benefícios para o clube do que o silêncio, a passividade e a inoperância de anos e administrações anteriores, antes fechadas aos seus adeptos, e cobertas por um manto de incerteza e desconfiança que foi progressivamente criando esta barreira entre o clube e os seus apoiantes.

Mas esse estilo, como eu já aqui defendi por diversas vezes, é  acima de tudo arriscado para o próprio Bruno de Carvalho. Não pela coragem, pela frontalidade, nem sequer pelo afrontamento com as tais múltiplas frentes de batalha que tanto incomoda a crítica, mas sobretudo pela sobrexposição e pelo excesso mediatismo. Por não optar por uma mais criteriosa gestão do silêncio, ou simplesmente por não ter ninguém perto de si que o aconselhe nesse sentido, Bruno de Carvalho compromete e desgasta a sua imagem, tornando-se um alvo fácil da crítica e da oposição interna do clube a cada empate, a cada derrota, ou a cada tumulto disciplinar que de tempos a tempos, quase sempre por heranças passadas, surge no clube de Alvalade.

Feita a ressalva, vamos ao mais importante: os resultados apresentados pelo relatório de contas de 2013/14 são, numa palavra, extraordinários. Num balanço global, o clube foi capaz de virar um resultado catastrófico de quase 50 milhões de euros de prejuízo, um dos piores de sempre da história do clube, num saldo positivo significativo de quase 400 mil euros. Num ano zero desta nova administração, após uma temporada desportiva miserável, que redundou num sétimo lugar e que afastou o clube de qualquer participação europeia, com os prejuízos financeiros daí decorrentes, é uma verdadeira proeza. Reduzir custos em mais de 30 milhões de euros, baixar a massa salarial em mais de 10 milhões de euros, ao mesmo tempo que se consegue um aumento de receitas de bilheteira e de direitos de TV é absolutamente hercúleo. Depois do clube ter visto o seu passivo aumentar perto de 100 milhões de euros por iniciativa da sua anterior direcção, conseguir fechar uma reestruturação financeira e depois disso manter controlados o volume da dívida e evitar nova explosão de endividamento, seguindo uma trajectória suicida de há sensivelmente três anos para cá, é um milagre do qual todos os sportinguistas deveriam estar agradecidos. Mas nem todos estão, porque nem todos estão conscientes da situação financeira calamitosa a que o clube chegou. O que esteve aqui em causa foi de facto a sobrevivência do clube. Não é demagogia de queridos líderes, é a realidade.

Esta evolução das contas do Sporting é impressionante e o caminho corajoso escolhido por Bruno de Carvalho merece um elogio óbvio. Assim como o comportamento de respeito para com os seus associados, seguindo uma política de verdade e transparência, esclarecendo todos os negócios e toda a actividade do clube, ao contrário dos rivais que preferem viver no silêncio e na ocultação dos seus negócios obscuros, merece ser assinalado.

Para além da evolução positiva das contas, salta à vista a clareza e, mais uma vez, a transparência dos dados divulgados neste relatório. Nele podemos perceber quanto ganhou Bruno de Carvalho e os restantes membros executivos da sua administração ao longo dos 12 meses de trabalho ao serviço do clube, e facilmente constatamos a inversão de política relativamente aos gastos com a administração comparativamente com a direcção anterior, por exemplo. Para se ter uma pequena ideia, estes três administradores do clube receberam no conjunto um valor (168 mil euros) inferior ao total auferido por Luis Duque (246 mil euros) no exercício anterior. Quando comparados com as remunerações milionárias praticadas no Benfica e no FC Porto, estes valores são então absolutamente ridículos.

Outro ponto importantíssimo prende-se com um dos cavalos de batalha de Bruno de Carvalho, e que só merece a concordância da comunicação social portuguesa quando lhes toca aos clubes do coração e às perdas para clubes estrangeiros dos seus principais craques, a questão dos fundos e dos “elementos fantasma” presentes no mundo do futebol. Face ao pagamento de comissões milionárias por parte da gestão de Godinho Lopes, o Sporting de Bruno de Carvalho cortou quase 3,4 milhões de euros com estes gastos, reduzindo ao mínimo a participação de entidades intermediárias nos negócios de aquisição de jogadores. Uma política que essencialmente aumenta a independência  do clube em negociações futuras e deixa de o colocar em posição de refém, e com os braços atados, tal como tem acontecido com as últimas vendas de jogadores comprados ou negociados pela anterior administração.

Tudo isto é claro e vem aliás no seguimento das promessas feitas por Bruno de Carvalho ainda em campanha. Quando vemos negócios do mais estranho que pode haver em praticamente todos os clubes do futebol português – ainda ontem se falava num “Sporting de Braga como barriga de aluger” – com políticas pouco ou nada transparentes, o que se pode dizer a esta linha de actuação seguida por Bruno de Carvalho?  E  face aos resultados miraculosos apresentados no relatório de contas anual?

Mais do que criticar o estilo, importa criticar o conteúdo. Porque os que se erguem de rompante ao reboque da oposição blogueira contra o actual Presidente do Sporting, quer pelos negócios que faz por irresponsabilidade e gestão danosa da anterior direcção, quer por fait divers como a sua ida ao programa Você na TV, quer ainda pela linguagem utilizada, já não são tão ávidos na hora de registar o essencial e o que realmente importa. Os mesmos que não compreendem a dificuldade de gerir um clube nestas circunstâncias e a absoluta necessidade de cumprir as metas financeiras traçadas.

Bruno de Carvalho foi o primeiro Presidente do Sporting, depois de anos e anos, a compreender a dramática realidade financeira do clube e o primeiro a ter coragem de tomar decisões difíceis. Em vez de prosseguir o caminho do contínuo endividamento, que acabaria por ser fatal para o clube, optou pelo trajecto com mais e complexos obstáculos. Por mais que a saída deste ou daquele ou a impossibilidade de trazer o super craque do FM custe a engolir, é esta coragem que tem de ser assinalada e merece um elogio. O resto é conversa mole de internet.

PS – A propósito da Auditoria e da proposta para agir judicialmente contra Godinho Lopes e CIA, com os fundamentos evidentes que todos tivemos oportunidade de conhecer nos últimos dias, vieram os alarves do costume para as primeiras páginas falar em “egocentrismos” e “sedes de protagonismo” (os tais blogueiros foram depois também à boleia). Mas como a nossa imprensa não se faz só desta gente, também há quem seja sério e escreva como isenção. Pedro Santos Guerreiro escreveu o óbvio, e só por isso merece também ele um elogio.

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???????????????????????????????André Cunha Oliveira

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