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A gestão de Bruno Carvalho à frente do Sporting é digna de vários elogios. O presidente leonino tem travado árduas batalhas contra os poderes instalados dos rivais, a massiva influência dos fundos no seio dos clubes, a introdução da tecnologia no campo da arbitragem entre outras questões de relevo.

Contudo há uma batalha que a direcção leonina tem perdido nas últimas duas épocas: a equipa B.

As equipas B nasceram com objectivo de dar minutos de jogo aos rapazes dos juniores que passam a ter idade profissional e àqueles que embora não possuam idade profissional, se reconheça talento acima da média para ser opção de futuro na equipa principal.

Por norma estas equipas têm plantéis curtos que vão sendo reforçados com juniores – para premiar o desempenho destes jovens e dar lhes um contacto inicial com futebol profissional – e em outras situações com elementos da equipa A que por lesão ou falta de ritmo não estão em condições de ser opção para a equipa principal.

A dupla Abel e Barão não funcionou na equipa B leonina

A dupla Abel e Barão não funcionou na equipa B leonina

Em termos prácticos a segunda liga nacional, muito à base do chutão, força física e campos pouco recomendáveis à prática de bom futebol, não oferece aos atletas grandes noções tácticas e de conceitos diferentes de jogo. O que um jovem ganha em estar numa equipa B nacional basicamente é ritmo de jogo a um nível intenso, agressivo e contacto com a realidade profissional. Quem passa no teste com distinção não pode continuar a ser testado a um nível tão baixo durante mais do que 1/2 épocas, mediante a necessidade da equipa principal.

No Sporting as últimas duas épocas da equipa B têm sido marcadas por equívocos que começam na escolha do treinador.

Abel, conflituoso e em constante choque com atletas não se revelou o formador de excelência que jovens em início de carreira necessitam. Francisco Barão deu muito ao clube enquanto atleta mas como treinador deixa muito a desejar.

A aposta em João de Deus – comecei a escrever este artigo desconhecendo esta escolha – é o primeiro passo para a reabilitação. É um treinador jovem que têm uma vertente formadora e de aposta em jovens valores nacionais que preenche alguns dos requisitos para comandar os leõezinhos. Veremos se tem unhas para tocar esta guitarra e consegue, acima de tudo, desenvolver os atletas individualmente e num conceito de jogo que os faça progredir e chegar à equipa A. O objectivo da equipa B não é vencer, mas sim ser o trampolim para a primeira equipa.

E tendo em conta esta definição é difícil perceber certas apostas da direcção leonina, que nas últimas épocas tem inundado a segunda formação verde e branca de contratações sem sentido que além de tiraram espaço competitivo aos miúdos da B, não parecem ser apostas claras para o futuro do Sporting.

Welder e Gerson Magrão dois reforços da equipa A que passaram a época na formação B

Welder e Gerson Magrão dois reforços da equipa A que passaram a época na formação B

Na época anterior jogadores como Welder, Magrão ou Vítor poderiam não ter vestido de verde e branco se as opções fossem por João Mário ou Esgaio que vinham de temporadas brilhantes na segunda equipa e nem sequer a pré época fizeram. João Mário abandonou a equipa em conflito com Abel e mostrou que caso tivesse ficado provavelmente o fantasma da posição 10 que atormentou Leonardo Jardim, teria sido mais facilmente resolvido. Esgaio voltou a brilhar e mesmo com Miguel Lopes em stand bye o Sporting decidiu investir no modesto André Geraldes. O jovem leão apesar de não ser uma das primeiras escolhas de Marco Silva sempre que foi chamado mostrou qualidade e provou que na temporada passada já merecia espaço no grupo.

Não faz sentido manter Nuno Reis, contratar Hugo Sousa, Sambinha ou Matias Perez quando se tem Tobias Figueiredo. Não tem lógica contratar Wallyson e não lhe dar minutos na pré-época ou pelo menos colocá-lo numa primeira liga, onde já mostrou futebol para estar. Jogadores como Dramé, Enoh ou Cissé só fazem sentido num escalão destes para fechar algumas lacunas do plantel e se na equipa A já há vários extremos e avançados, sem contar com os excedentários Heldon e Shikabala, não faz sentido manter estes atletas nos quadros.

O Sporting tem contratado em demasia para a equipa A e a B acaba por ser sobrecarregada o que retira espaço de manobra a jovens da formação secundária.

Slavchev foi pouco testado durante a pré-época e neste momento de adaptação, anda estranhamente afastado dos convocados da equipa B

Slavchev foi pouco testado durante a pré-época e neste momento de adaptação, anda estranhamente afastado dos convocados da equipa B

Percebo a aquisição de Ryan Gauld e Slavchev, mas pelos montantes envolvidos e pela necessidade de alternativas no plantel principal, podiam e deveriam ter sido apostas firmes durante a pré-época, coisa que não ocorreu, e tendo em conta que elementos como André Martins tardam em mostrar futebol mais preocupante se torna. Hadi Sacko preenche uma vaga de ponta de lança promissor que neste momento o Sporting não tem e este deveria ser o critério quando se reforça a equipa B: pensar nas lacunas da equipa B, projectando o futuro da equipa A.

Se na formação os títulos e boas exibições tem gradualmente escapado, o mais preocupante é o aproximar de Benfica e Porto – a diferença é cada vez mais ténue e o Sporting só sai na frente porque realmente aposta até à profissionalização – e a perda constante dos principais talentos da Academia como Moretto Cassamá, Matheus Pereira, Alexandre Silva, Idrissa Sambú ou até Eric Dier.

Nem todos os jogadores podem ser tratados da mesma maneira e a forma como a direcção leonina está a cuidar dos mais promissores talentos da Academia tem revelado lacunas e precisa urgentemente de ser revista para que o viveiro de Alvalade não seja ultrapassado pelos rivais.

João de Deus regressa ao activo depois da passagem oelo Gil Vicente

João de Deus regressa ao activo depois da passagem oelo Gil Vicente

A entrada em cena de João de Deus é um bom tónico para os sportinguistas, já que demonstra que o tridente Carvalho-Inácio-Virgílio percebeu que algo vai mal no reino dos leõezinhos.

Um primeiro passo está dado, agora falta o mais importante: escoar excedentários da equipa A e elementos sem futuro de verde e branco da própria equipa B para que os dois planteis possam trabalhar de forma organizada e interligada. Se isso acontecer e João de Deus cumprir com aquilo que o seu posto exige, muito breve nomes como Iuri Medeiros, Tobias Figueiredo ou Daniel Podence poderão mostrar que a segunda formação dos leões voltou a ser um caso de sucesso.

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SONY DSCBruno Gomes

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