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A rivalidade é um dos principais ingredientes do futebol e do desporto em geral. O Benfica não seria o Benfica que hoje conhecemos se não existissem Sporting ou FC Porto. Nem o Sporting ou o FC Porto seriam estes Sporting e FC Porto sem os eternos rivais. Cristiano Ronaldo não seria o jogador que é e provavelmente não seria tão bom quanto é se não existisse Lionel Messi. E vice-versa. Federer seria outro Federer sem Nadal, tal como o espanhol seria outro sem o suíço. Porém, desengane-se quem pense que a rivalidade é tudo e que é à volta dela que deve crescer o desporto e o clubismo.

Surge esta reflexão a propósito de um episódio entre Bruno de Carvalho, presidente do Sporting, e Manuel Fernandes, glória eterna do clube de Alvalade, que me faz colocar a rivalidade de parte. Embora admita que não me faz qualquer tipo de comichão ver a casa leonina em polvorosa (antes pelo contrário…), tenho que confessar que me causou alguma revolta o ataque desmedido do actual presidente do Sporting a uma das mais importantes figuras vivas do universo leonino.

Manuel Fernandes e Sporting rimam. Manuel Fernandes é Sporting e o Sporting também é muito de Manuel Fernandes. E, com ou sem razão, Bruno de Carvalho deveria ter batido na boca antes de dizer muito do que ousou dizer sobre ele. Foi um pedaço de história verde-e-branca que foi achincalhada em praça pública. Um ícone de várias gerações (os que o viram e os que sobre ele ouviram falar) humilhado e espezinhado por alguém que, sejamos honestos, não deu e talvez nunca dará um décimo daquilo que Manuel Fernandes deu ao Sporting.

Tenho um enorme respeito por Manuel Fernandes, admito. Dentro do fanatismo que nos habituamos a ver na comunicação social nacional, ele acaba por ser uma lufada de ar fresco. Um Sportinguista exemplar que respeita os rivais e se dá ao respeito. Ver Manuel Fernandes chorar desalmadamente na televisão, como chora uma criança quando lhe devolvem o rebuçado que lhe haviam roubado, incomodou-me imenso. Ali não vi cores, não vi clubes.

Vi um homem genuíno aliviado por ver a sua reputação restaurada, o seu Sportinguismo novamente reconhecido. Um homem cujo rebuçado (leia-se maior orgulho de uma vida) deve ser, tão somente, ser Sportinguista e ter contribuído como contribuiu para tornar o seu clube melhor. Colocar em causa o seu Sportinguismo e, pior, colocar o universo Sportinguista contra ele terá sido um dos maiores dissabores em toda a sua vida. E, infelizmente, Bruno de Carvalho vive hoje um tal estado de graça que tem o poder de direccionar (quase) toda a massa simpatizante para aquilo que bem entender. Bruno de Carvalho decidiu que Manuel Fernandes era um ‘inimigo a abater’ e a massa (não todos, é verdade, mas a maioria) aceitou-o de forma preocupante. Bruno de Carvalho decidiu agora que Manuel Fernandes merecia uma homenagem e para a massa, Manuel Fernandes voltou a ser ídolo.

Claro que Manuel Fernandes tem defeitos, claro que Manuel Fernandes aqui e ali acaba por falar demais e por vezes até prejudica o seu próprio clube. Assim como glórias do Benfica o fizeram e fazem. Assim como glórias do FC Porto e de outros clubes o fizeram e fazem. Manuel Fernandes terá que ser sempre um ídolo pelo que fez dentro de campo e pelo Sportinguismo que nele tem entranhado. Os ídolos nunca morrem e Fernandes terá sempre o seu lugar na história leonina, mais que não fosse pelo que fez no célebre 7-1 ao Benfica. Ainda não há muito tempo vi uma glória encarnada (Shéu) humilhado em pleno relvado por Jorge Jesus e enojou-me, feriu o meu Benfiquismo. Acho que um verdadeiro Sportinguista deve ter sentido algo similar durante todo este processo. E o que está feito, feito está. Bruno de Carvalho que não se esqueça que o estado de graça e o seguidismo cego não duram para sempre. Um dia vai precisar de todos os Manéis Fernandes a seu lado. E, talvez um dia, a forma inútil como tratou um símbolo vivo do seu clube seja usada contra si. Um pedido de desculpas público, admitindo o exagero, não lhe tinha ficado mal. As pazes feitas este fim-de-semana pareceram algo superficiais e as lágrimas de Fernandes não foram por Bruno de Carvalho o desculpar (até porque não haveria nada que desculpar) mas sim por ver a sua dignidade leonina restaurada. E isso, naquele homem, é como o ar que respira.

Deixo-vos um vídeo do que foi e se calhar nunca mais voltará a ser a rivalidade Benfica-Sporting. Com o Senhor Manel como personagem principal (tomem atenção a partir do segundo 0’49).

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