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Quando caminhamos a passos largos para atingir a segunda metade da temporada, existem vários dados e conclusões que podemos tirar destas primeiras dez jornadas e destes quase quatro meses de competição.

Começando pelas surpresas, encontramos um FC Porto que surpreende pelo parco futebol e resultados q.b, apesar do inacreditável investimento de mais de 50 milhões de euros; um Vitória de Guimarães que soube capitalizar a sua formação e o conhecimento aprofundado de escalões inferiores para se fixar num actual 2.º lugar do campeonato; e um Belenenses que apesar das dificuldades e instabilidade estrutural vai conseguindo fazer milagres e tirar o melhor proveito do seu treinador e do seu máximo goleador.

No campo das previsibilidades, chegamos ao campeão nacional e actual líder da Liga, o Benfica, que apesar das muitas saídas no seu plantel volta a manter elevados padrões em termos exibicionais, assentes na manutenção dos seus três jogadores nucleares (Enzo-Salvio-Gaitán), e de um treinador que está mais do que identificado com o clube e a equipa; a um sistema de nomeação de árbitros, com resultados díspares e altamente questionáveis nos jogos dos três grandes, profundamente duvidoso; e um Sporting que, fruto de assimetrias específicas na composição do seu plantel, se mantém irregular e imaturo.

No caso concreto do Sporting, a conversa da imaturidade e do «projecto a longo prazo» volta a vir à baila, olhando para os resultados inconstantes da equipa e para o actual 8.º lugar no campeonato. A questão agora é que esta conversa assume outros contornos em virtude dos episódios mais recentes relacionados com a formação de Alvalade.

O Sporting tinha, e tem, uma equipa muito jovem e em crescimento, é verdade, mas que em função de um ano de competição disputado ao mais alto nível pressupunha uma evolução no desenvolvimento de alguns jogadores. Não de todos, seja também feita esta ressalva, mas pelo menos na de alguns seria o passo natural.

O que quero dizer é que não era expectável que jogadores como Cédric Soares, Jefferson ou André Martins fizessem muito mais do que aquilo que fizeram em 2013/14, mas antes que, no máximo, mantivessem os níveis exibidos na temporada transacta. A outros, como William Carvalho, Carlos Mané ou Islam Slimani, seria também natural assistir a uma evolução nas suas performances, dado o seu potencial, mas tal ainda não se verificou.

Na mesma proporção, esperava-se da parte de Bruno de Carvalho, Augusto Inácio e até Marco Silva (fruto do seu crescimento enquanto treinador, mesmo que seja o seu primeiro ano no projecto) consolidassem o trabalho desenvolvido ao longo do ano. Que a estratégia comunicacional de um fosse melhor gerida, que o acerto nas contratações de outro fosse ainda maior, e que os resultados deste último fossem ainda mais expressivos do que o foram no Estoril.

Mas como em qualquer circunstância da vida, o crescimento faz-se também à custa de muitas falhas e de muitos erros. Obviamente que ninguém é perfeito, mas no caso do Sporting cada erro assume proporções que a partir de determinado momento se podem tornar imprevisíveis, dado o contexto do clube.

Começando por Bruno de Carvalho, e voltando a um episódio já muito badalado mas sobre o qual ainda não tive oportunidade de me pronunciar, há claramente erros que derivam da sua falta de experiência, por um lado, e do seu feitio irremediável de querer resolver e controlar tudo. Por sentir o desânimo dos adeptos após a vergonhosa derrota de Guimarães, o Presidente do Sporting, para que não restassem dúvidas, decidiu criticar publicamente os jogadores numa declaração publicada no facebook para mostrar que a derrota não iria ser gerida de ânimo leve e haveria consequências para os jogadores. Mas fez mal. Porque com isto pôs-se a jeito às críticas dos comentadores habituais que se seguiram e porque obviamente esta não é a forma de lidar com o problema.

É claro que nos podemos lembrar da forma como noutros tempos este tipo de vexames eram tratados em Alvalade, sempre com paninhos quentes, sempre à procura de subterfúgios para justificar o injustificável. Mas ainda que a responsabilização dos jogadores deva ser feita, não seria nunca um post no facebook, numa nota pública, que iria resolver o problema, mas antes multiplicá-lo por muitos.

É verdade que esta observação pode ter pouca validade se tivermos em conta que o Sporting garantiu uma importante vitória no jogo seguinte, frente ao Schalke, e que por isso Bruno de Carvalho colheu em parte os dividendos que pretendia com a sua estratégia, mas a dimensão de um clube de futebol como o Sporting exige uma análise holística que compreenda a globalidade deste Universo.E que não se esgote ao comportamento da equipa no jogo seguinte. Este foi por isso um deslize de Bruno de Carvalho que poderia facilmente ter sido evitado mas que nasce precisamente fruto da sua inexperiência, mas também do seu grau de comprometimento com o clube.

Um comprometimento que, como já defendi aqui «n» vezes, tem de ser melhor gerido, para sua própria salvaguarda. Depois de uma primeira época para marcar posições e mudar paradigmas, seria aconselhável que Bruno de Carvalho saísse do banco. Os jogadores já o conhecem, já não têm dúvidas sobre o nível da sua liderança, e já não existe necessidade da sua presença constante no balneário. Uma «fuga» para a tribuna, pelo contrário, só poderá fortalecer a sua relação com os atletas, que como qualquer jovem adolescente agora só precisam de viver, de respirar. Fica a dica.

Depois da inexperiência do Presidente vem a do Director-Desportivo, Augusto Inácio, também ele com alguns erros (porventura mais graves) responsáveis pela inconstância da equipa leonina. A redefinição do plantel do Sporting até começou a ser feita com sinais positivos, com contratações com critério (desportivo e financeiro) no sentido de dotar o grupo de trabalho de maior competitividade.

O problema veio depois. Com as saídas (inesperadas?) de Eric Dier e Marcos Rojo, Augusto Inácio mostrou claramente não ter feito o trabalho de casa, não sendo capaz de trazer para Alvalade um defesa-central de qualidade superior capaz de se assumir como líder da defesa. Ao confiar em Maurício, quando toda a gente já sabia das limitações do brasileiro, pese embora a sua qualidade como alternativa, Inácio pode ter comprometido uma época inteira de uma equipa que apresenta boas soluções em todos os seus sectores, com rendimento interessante a nível de produção ofensiva, mas que acaba por fraquejar dadas as deficiências técnicas e tácticas de todos os seus defesas-centrais. A insistência em Rami Rabia e por fim em Naby-Sarr, mesmo que no futuro se venha a revelar acertada, por agora não vai tendo quaisquer resultados, e por agora é apenas isso que conta.

Mesmo que o conjunto de jogadores contratados (Jonathan Silva, Rossel, Gauld, etc) não possa ser questionado, a falha na contratação de um defesa-central deita tudo o resto para segundo plano.

Por fim, Marco Silva. Um bom treinador, qualidade indiscutível. Tem encontrado nestas assimetrias forte opositor, já lançou avisos relativamente à necessidade de uma incursão no mercado, mas também aqui a culpa não pode morrer solteira. Tem pecado na excessiva utilização do mesmo leque de jogadores, com outros (que apresentam rendimento sempre que chamados) a merecerem poucas oportunidades que podem revelar-se decisivas para a frescura física que a equipa (não) irá apresentar na segunda metade da temporada. Rossel, Miguel Lopes, Carlos Mané e até Tanaka têm de ter mais tempo de jogo, mesmo que não sejam melhores dos que por ora vão jogando. Sem entrar em exageros «à Lopetegui», há que ir fazendo uma rotatividade moderada e espaçada na equipa. Nos jogos em casa, frente aos «aroucas desta vida», há que assumir a partir do minuto 0 o plano B que se costuma deixar para as segundas partes. São demasiados pontos perdidos contra equipas miseráveis. A jogar com um ponta-de-lança e com as arbitragens do costume em Alvalade, amigas do anti-jogo, não se vai lá.

No meio de tudo isto, e de este processo de aprendizagem, continuam os «chico-espertos» na fila da frente prontos a apontar o dedo ao mínimo deslize dos novatos de Alvalade. Seja por causa de Nani (depois das críticas aquando da sua contratação é curioso ver a reacção de entusiasmo ao remoto regresso a Old Trafford), seja por causa da mínima imprudência de Bruno de Carvalho, que, verdade seja dita, apesar destes lapsos, lá vai levando a água ao seu moinho no que à reestruturação do clube diz respeito.

Para não serem consumidos pela concorrência, há que estudar, estudar e estudar. Porque mais perigoso que os dedos condenatórios dos «chico-espertos», é a habitual tendência suicida da formação de Alvalade. Com os disparos dos outros há sempre hipótese de luta, já com os tiros nos nossos próprios pés é que não há sobrevivência possível.

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???????????????????????????????André Cunha Oliveira

2 thoughts on “Vivendo e aprendendo

  1. “o Benfica, que apesar das muitas saídas no seu plantel volta a manter elevados padrões em termos exibicionais”
    Sou Benfiquista mas não sou cego nem idiota por isso não entendo essa dos elevados padrões em termos exibicionais. Na realidade tem sido pouco mais que sofrivel.

  2. Quanto ao assunto principal do post e não sendo eu Sportinguista posso dar umas achegas.
    Bruno de Carvalho: O tempo o julgará. Existe sempre muita fumaça, penso que pela conjugação de dois factos: o Homem mexe em tudo o que está instalado no nosso mundo da bola e cria anticorpos e o Homem está a criar uma cama. Se é boa ou má se verá mas ninguém consegue passar virgem com tantos conflitos ou bate bocas. Se com os rivais a coisa até vai (faz com que o homem seja adorado), com os da casa o problema parece-me atingir proporções dignas de ficar à espera de algo. É ex presidentes. É jogadores. É adeptos conhecidos. marcha tudo.
    O pior é que parece-me sempre que poderá acabar isolado no meio de tanto conflito. Começam a ser demasiadas inimizades.
    Inácio: Não entendo bem qual o papel dele por isso não posso opinar. Mas isto de arranjar jogadores sempre a contar os trocos não deve ajudar nada.
    Marco Silva: Quando foi para o SCP tive pena por ele e pelo Estoril. Sou adepto do Estoril (cresci ali. sou Benfiquista mas Estorilista de bairro). O provavel passo maior que a perna poderá deitar abaixo um bom treinador. Veja-se alguns exemplos nos ultimos anos.
    Esta época para o Sporting tem tudo para dar tudo ou para dar nada. Parece-me bastante evidente que se se confirmar a derrocada classificativa e exibicional tudo desbanca em guerra. vai-se o estado de graça do BC e os rissois e croquetes aparecem todos (o BC está sempre em guerrilha e eles é poderem..). Apesar do bom trabalho que possa desenvolver não me parece que exista espaço para um 4º ou 5º lugar por exemplo e se calhar nem para um 3º. A solução é só uma. Ganhar. Ganhar muito e mais que os outros. E isso parece-me uma tarefa dificil para a dimensão do SCP neste momento.
    O elo mais fraco será sempre o treinador. ai aparecerá o “é inexperiente.. fraco.. sem qualidade para um grande.”
    O SCP vive tempos interessantes, duros e perigosos. o que dai vai vingar ninguém consegue adivinhar.

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