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Faz hoje uma semana que o antigo Primeiro-Ministro foi dentro. Acusações de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção. Mais de 20 milhões de euros, provavelmente provenientes de dinheiros públicos, numa conta off-shore na Suíça, mas o mais importante é garantir a salvaguarda da presunção de inocência de José Sócrates. E já agora questionar, precisamente na altura em que mais sinais são dados de que algo está finalmente a funcionar, a “espectacularidade” da detenção do arguido, ao contrário de outros, completamente enxovalhado e humilhado em praça pública. Dizem os intelectualóides de quadraturas de círculos e outros eixos de maledicência que os portugueses estão loucos por colocar a cabeça de Sócrates na guilhotina, sem qualquer tipo de fundamento. Afinal, as acusações de que o ex-PM é alvo nem sequer são nada de especial, escandaloso e sobretudo mais premente é discutir as fugas de informação que permitiram a captação de imagens, por parte de alguma imprensa, da detenção de Sócrates à chega ao Aeroporto da Portela. E no fundo é apenas isto, até porque do processo nada mais chegou aos jornalistas e por isso mesmo anda tudo à nora quanto aos pressupostos que ditaram prisão preventiva para o socialista. Tudo serve de discussão, incluindo o elevado número de processos que param na mão do já apelidado de “Super-Juíz” Carlos Alexandre. Só a vida luxuosa e os mais de 20 milhões de euros de um homem que nunca teve rendimentos correspondentes para dispor de tal fortuna é que merecem ficar em segundo plano. Que os amigalhaços vão para a televisão defender Sócrates já não é novidade nenhuma, agora que outros palermas que por lá moram também sigam a mesma cantilena, aí já começa a ser um pouco de mais.

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Sócrates, um “presumível inocente”.

Entretanto, Pinto da Costa levou uma delegação do FC Porto até Angola e a RTP decidiu dar mais de vinte de minutos de antena ao Presidente dos dragões e a um conjunto de banalidades por si proferidas, como o trânsito naquele país africano. Não se discute a pertinência da entrevista, bem como de algumas das temáticas abordadas, mas deixar PC divagar durante quase uma hora só porque sim não é normal. O objectivo do líder dos azuis e brancos de sublinhar o espírito altruísta de FC Porto e Benfica no sentido de revitalizar o futebol português, lá acabou por ser conseguido, é verdade, mas era mais uma vez escusado este papel da parte da televisão pública. Infelizmente, as “fontes” fazem-se à custa de muitos favores e troca de brindes. Ficamos assim.

Pelo meio, o propósito subliminar de atacar o Sporting e Bruno de Carvalho lá vai seguindo o seu caminho, com o lixo dos programas desportivos dos canais do cabo a darem uma ajudinha. Caem nesta conversa os mais novatos e inexperientes, os interesseiros e saudosos colaboradoras da causa, mas também os simplesmente imbecis que para nossa desgraça andam por aqui.

PINTO DA COSTA - LIVRO 31 ANOS    ( 2013/2014 )

Pinto da Costa nem precisou de usar o Porto Canal para fazer passar a mensagem.

Isto para dizer que tanto podemos estar a falar de um Carlos Daniel, convictamente convicto do seu entendimento da coisa, como de um Octávio Ribeiro desta vida, qual Charles Kane do jornalismo português. De um lado a ingenuidade de um homem que é mesmo capaz de acreditar na virgindade da aliança LFV-PC, e dos seus benefícios para o futebol português, do outro a esperteza de um Director/jornalista/comentador que não se cansa de vir para os órgãos pertencentes ao grupo económico para o qual trabalha defender a honra do seu jornal, isto apesar dos constantes atropelos e violações do código deontológico que todos conhecemos e da sua linha editorial do mais vergonhoso que existe em Portugal. Octávio não gostou das críticas do Presidente do Sporting à falta de escrúpulos da sua publicação, e à interminável e leviana lista de mentiras, infâmias e inverdades escritas sobre o clube de Alvalade, e agora é ver manchetes diárias «à toa» sem qualquer tipo de fundamento nem confirmação, como mandam as boas regras, dos intervenientes sobre os quais se resolve caluniar.

A crónica semanal de Octávio no companheiro da Cofina “Record”, aliás, virou praticamente um livro de reclamações e ataques sem nexo a Bruno de Carvalho, com a última a atentar, seguindo o rebanho de bitaiteiros da mesma estirpe, contra a decisão do Sporting de se “imiscuir das grandes decisões de fundo para o futebol português”. No mesmo jornal, e valha-nos, de quando em vez, vozes com consciência que rebatam a miséria habitual, Bernardo Ribeiro constata o óbvio e com simples – mas lúcidas – palavras, escreve: «É hoje fácil menosprezar as ideias de Bruno [de Carvalho], mas a verdade é que entre os que lideram a liga…não se conhece nenhuma».

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Director do CM com Godinho Lopes, um “Presidente amigo”.

É que a excentricidade, sejamos meigos, de outros cromos (João Malheiro, Leonor Pinhão, João Manha, etc) é garante absoluto de mais audiências e leitores, e ter lunático-fanáticos num painel de comentários sempre facilita a estratégia directorial.

Ao mesmo tempo que as botas de Vieira e Pinto da Costa vão sendo engraxadas e polidas, as de Bruno de Carvalho vão sendo rebentadas a torto e a direito. Na mesma altura em que o Sporting anuncia a convocação de um Congresso Internacional para discutir o futuro do futebol, debatendo as suas promiscuidades e práticas obscuras cultivadas por fundos e outras organizações com ligações, senão perigosas, altamente duvidosas, em Portugal vai-se lambendo o calçado imundo de personagens igualmente repugnantes, elogiando a orquestração de autênticos golpes de estado em bombas de gasolina e a “revitalização” das competições através da manipulação e viciação de nomes para os seus quadros dirigentes. Miguel Sousa Tavares, crítico feroz e independente, à excepção do que ponha em causa o seu status-quo, apanhou o barco e levou resposta à altura. Retorquiu com palavras elegantes e singelas, mas os ataques pessoaIs escritos na sua crónica no jornal A Bola estão lá para quem quiser ver.

Entrevista de vida a Miguel Sousa Tavares.

MST, muitas vezes crítico, outras estrategicamente complacente.

Foi também uma semana repleta de novas achegas ao tema sobre o próximo novo Melhor jogador do Mundo. Recordamos, para os mais distraídos, que estamos naquela altura do ano em que se começam a usar galochas e sobretudos de inverno, em que se comem castanhas e se bebem chocolates quentes de frente para a lareira…e em que o mais humilde marceneiro se acha em posição de decidir quem será o novo Ballon d’Or. Que o staff e as equipas de Marketing de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo trabalhem nos bastidores sobre este assunto, tudo bem, agora que pessoas com responsabilidade no mundo do futebol – mais-, que o Presidente da UEFA e da FIFA achem que podem partilhar a sua opinião pessoal (legítima), a fim de influenciar a votação final, aí o caso muda de figura. É que como já escrevi noutras alturas, estamos a falar de uma votação, e que por isso mesmo pode efectivamente ser influenciada, e para evitar quaisquer tipo de suspeitas, o silêncio é mesmo o melhor remédio. Por coincidência, as “opiniões” de Blatter e Platini voltam a não ser favoráveis a Cristiano Ronaldo – como em todos os anos, de resto – mas desta vez valendo-se do argumento dos troféus colectivos….num prémio que é, por mais voltas que se dê, individual. Sobre Cristiano Ronaldo, está tudo dito. Os números e os golos, que afinal parece que não contam para nada, dizem tudo. O português, um dos mais extraordinários jogadores de futebol de sempre, é um avançado letal com um nível de eficácia e presença em campo únicos. Merece, sem qualquer otipo de dúvida, maior reconhecimento individual do que aquele que tem. Depois, o duelo com Messi resume o período da história deste desporto que estamos a viver e que, pela capacidade dos dois de serem, a léguas, melhores e mais fortes do que todos os outros, jamais voltará a ser repetido. E tudo isto torna algumas críticas com a de Ribery, apelidando a eleição para melhor do Mundo como uma questão de “politica”, ou ainda o argumento dos “alemães campeões do Mundo” simplesmente patéticas. Por mais bom jogador que de facto seja Ribery, e todos os alemães campeões do Mundo, nenhum está ao nível de Messi e particularmente de Ronaldo, falando deste ano que está prestes a terminar. O argentino e o português estão num nível muito superior (golos, assistências e prestação nos jogos mais decisivos assim o dizem) a todos os outros e não há nada de subjectivo no que de objectivo estes dois jogadores produzem em campo. Ponto.

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O que ainda faz Platini na UEFA?

A semana europeia terminou e para o Benfica parece que foi mesmo de vez. No mesmo período em que se encomendavam propagandas a Laboratórios na Margem-Sul e a cubos-mágicos, os encarnados eram afastados por um compatriota tendo apenas um português no seu onze, apesar das promessas de espinhas dorsais. Nesse mesmo dia, o Sporting, massacrado ex aequo com o seu Presidente, garantia a segunda vitória consecutiva na Liga dos Campeões (prova cuja última participação vexatória foi relembrada até ao tutano pela imprensa desportiva) com oito jogadores nacionais no seu onze inicial e 7 provenientes da sua formação. Falam os entendidos num grupo “manifestamente mais complicado” dos encarnados comparativamente com os das restantes equipas portuguesas. Afinal, o Schalke 04 (3.º) nem ficou à frente do Bayer Leverkusen (4.º) na Bundesliga de 2013/14 nem nada, e o Chelsea também é outra equipa de somenos importância.

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Gabe-se o esforço deste homem.

Termino esta semana intensa com uma notícia de última hora: no dia a seguir às buscas da PJ às residências de Ricardo Salgado e restantes compinchas, e ao esforço (inglório) de Stock da Cunha em separar as águas do Banco Mau (BES) do Banco Bom (Novo Banco), eis que a vida real se encarregou de mostrar que no fundo, no fundo, é tudo «águas do mesma nascente». Ou, se preferirem, «é tudo pacotes do mesmo stock». Dois administradores do Novo Banco, perdão, dois ex-administradores do Banco Mau, foram presos no âmbito do caso BES. Um caso que vai prosseguindo de detenção em detenção, de busca em busca, para gáudio natural do comum contribuinte mas também opinador.  Mas será que para Ricardo Salgado já não há existem presunções de inocência?

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???????????????????????????????André Cunha Oliveira

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