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Portugal tem duas múmias de estimação. Uma está no Palácio de Belém, a outra já lá esteve.

A múmia que actualmente mais ordena, é discreta e raramente abre o bico. A boca só mexe para o bolo-rei e reflexões dispensáveis como a dificuldade de um economista renomado em sobreviver com míseros 10 mil euros mensais. Os momentos de clarividência vão escasseando e portanto devemos encarar com normalidade que a múmia do leme confunda o cargo que ocupa com desavenças pessoais. Só assim se entende os seus silêncios comprometedores ou por exemplo o facto do primeiro artista nacional a receber um Grammy ainda não ter recebido uma menção pública de algum dos escrivães do seu sarcófago.

Se a múmia vigente prefere o silêncio às falas, a outra não dispensa um microfone. O que falta em isenção e lucidez sobra em vontade de marcar posição. Há sempre uma opinião para dar, uma capa de jornal para fazer, mesmo que seja para defender um Isaltino, desculpar o amigalhaço Salgado ou atestar a controversa inocência de um “primeiro-ministro exemplar”.

A velha múmia, descolonizador de renome e propalado pai da democracia – está mais para dono, mas ok –  além de sabichão mor também dá espectáculo quando o assunto é prepotência. Só assim se consegue entender a forma arrogante como lida com imprensa, agentes da autoridade e se acha acima dos outros, por pertencer a uma elite que na sua concepção está acima dos comuns cidadãos. 

Exemplo disso é o estatuto especial de que gozou para visitar à hora que bem entendeu o seu amigo na cadeia. No dia das visitas não lhe dava jeito, parece que ia lançar um livro… Imaginem o que aconteceria à mãe de um Zé Ninguém que o fosse visitar fora do dia previsto…

O melhor ficou para o fim: “É muito estranho (todo processo da “Operação Marquês” e o facto do amigo super fixe estar preso)! É muito estranho… Diga a esse senhor (juiz Carlos Alexandre) que eu lhe mando dizer (isto)…

Pergunta: Quem proferiu esta frase?

Opção 1 – Um coronel latino-americano de um conto de Gabriel Garcia Márquez?

Opção 2 – A nossa segunda múmia de estimação de dedo em riste para uma jornalista?

Acertou quem tem consciência de que vivemos num país de elites onde uns valem mais que outros e fazem questão de expor essa distinção sempre que a mostarda lhes sobe ao nariz. O que nos poderia valer é que o reinado destas múmias está cada vez mais perto do fim, já o que nos desconsola é que os que ficam já receberam a mestria daqueles que tardam em partir.

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SONY DSCBruno Gomes

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