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Chegados a Dezembro, chegámos àquele período de festa e comunhão entre povos, mas também àquela altura tradicionalmente crítica para alguns clubes de futebol. Concretamente no caso do Sporting, falamos de uma época em que por norma os leões se vêem matematicamente afastados do título.

O ano passado não foi bem assim, ainda que resutados negativos e com impacto na perda do campeonato tenham ocorrido por esta altura (estou a lembrar-me daquele fatídico empate caseiro com o Nacional da Madeira), mas eis que este ano o clube de Alvalade volta a esta triste sina que lhe é praticamente intrínseca.

O último empate em Alvalade com o Moreirense foi a gota de água (ainda para mais tendo em conta a exibição medíocre da equipa), não só para os adeptos como para Bruno de Carvalho, que esta sexta-feira dedicou duras palavras para os sócios mas também para os jogadores, treinadores e directores do Sporting, assumindo também ele a responsabilidade pelo mau momento da equipa.

Fazendo uma análise fria e objectiva, comparo esta forte tomada de posição de Bruno de Carvalho com aquela tida há quase dois anos praticamente a seguir à sua vitória nas eleições de 2011 e que resultou posteriormente num desfecho favorável no processo de Reestruturação Financeira do Sporting, vital para o clube.

Depois das críticas aos jogadores via-facebook, na minha opinião despropositadas e tomadas no “local” errado, o Presidente do Sporting, não vendo efeitos práticos desta exposição nos resultados da equipa, decidiu desta vez colocar em causa toda a estrutura do clube e lançar dessa forma um aviso aos sócios leoninos.

Não sei se a contestação ao seu trabalho merecia a marcação de uma AG para validação do mandato da sua equipa directiva – pelas diferentes sensibilidades que vou tendo no Universo do Sporting penso que não, e parece-me, em teoria, de certa forma exagerada,  mas a tendência de “voto” para o que resta do seu mandato é claramente de oposição.

Num clube complexo e difícil como o Sporting, cuja natureza paradoxal (clube de grande dimensão, com vasta massa adepta, mas que não vence há muitos anos) dificulta o trabalho de dirigentes, treinadores e jogadores, é preciso gerir expectativas de forma criteriosa e com grande habilidade. Bruno de Carvalho achou que a melhor forma de o fazer seria dando um segundo grande murro na mesa desde que está à frente do clube.

Poderia tê-lo feito uma vez mais com recato, longe das câmeras e objectivas? Podia (e devia), mas talvez a subsistência dos crónicos problemas de sempre do clube leonino, nomeadamente dos chamados “bufos internos” (continuam a ser permanentes algumas fugias de informação para a imprensa), tenha feito falar mais alto e para toda a gente ouvir. Essa declaração de intenções, dirigida aos sócios, não merece particular relevância, é até importante ter sido feita externamente, de forma a uma vez mais alertar os alienados adeptos leoninos, mas as críticas a jogadores e ao treinador via imprensa é daqueles erros que Bdc teima em repetir. O Presidente do Sporting, com todos os seus méritos, acusa demasiada inexperiência na gestão desportiva (em contraste com a excelência da sua gestão financeira) de um clube de futebol desta dimensão. É impensável, uma vez mais, apontar dedos aos jogadores e ao seu treinador em público, uma daquelas falhas primárias que simplesmente destroem um balneário e que o afastam definitivamente do grupo. Um Presidente que não protege os seus jogadores, que se coloca contra eles publicamente, não pode nem consegue formar um plantel campeão. Desta forma os jogadores não podem ver no seu Presidente um amigo, um aliado, pronto a defende-lo, e isso corrói qualquer tipo de união dentro de um clube de futebol.

Estes são os problemas reais deste Sporting, mas depois existem outros ficcionados e que podem contribuir para uma fracção perigosa no clube.

OS PROBLEMAS REAIS

1. A política de contratações não acompanha os objectivos traçados 

Não questiono, porque muitos deles não os conheço em profundidade, o valor dos reforços contratados para 2014/15, já aqui defendi a coerência dos seus nomes tendo em conta o projecto delineado por BdC, mas reconheço na maioria deles a incapacidade de se constituírem, para já, verdadeiros reforços para o plantel de Marco Silva, que aparentemente tem a mesma opinião. Obviamente não me choca que Bruno de Carvalho tenha dito que o Sporting iria lutar pelo título nesta temporada – nem pode chocar aos adeptos que exigem vitórias a um clube desta dimensão -, mas dizer (Augusto Inácio) que se parte na pole position sem que se tenham resolvido problemas e défices de qualidade no plantel é no mínimo irresponsável. Já se tinha percebido, desde a primeira hora, que o Sporting não tinha nenhum defesa-central de classe no seu grupo, mas nem Augusto Inácio nem Bruno de Carvalho foram capazes de o reconhecer. Confiaram na sorte e ela trocou-lhes naturalmente as voltas.

 2. A reincidência no desencontro entre Presidente e Treinador

Já na temporada passada tinha ficado latente o crescimento, com o passar dos meses e dos dias sem reforços de nomeada, do distanciamento entre Bruno de Carvalho e Leonardo Jardim. Ao madeirense não foram oferecidos os presentes pedidos quer no início da época, quer no mercado de janeiro, acabando por chegar “brinquedos rasca” (Shikabala, Heldon, etc)  que em nada satisfizeram o ex treinador do Sporting. O desencontro na política de mercado tornou-se mesmo uma realidade e com Marco Silva parece estar a acontecer exactamente a mesma coisa. Já em Novembro o treinador leonino tinha insinuado que Bruno de Carvalho sabia muito bem o que ele pretendia para janeiro, e o Presidente do Sporting respondeu-lhe com uma versão antagónica às decisões que o técnico tem vindo a tomar jogo após jogo. Das duas uma, ou o Presidente do Sporting promete o que depois não cumpre nos processos de negociação com os seus treinadores, ou então são os próprios técnicos a não serem claros nas suas posições de mercado quando negoceiam com BdC. O que me parece acima de tudo é que Bruno de Carvalho e Marco Silva estão profundamente afastados, e isso, mais do que um sinal de que nem tudo vai bem, é algo que vai contra uma das metas traçadas pelo Presidente do Sporting quando ainda não o era: uma comunicação do clube a uma só voz.

 3. Os amuos dos pseudo-craques 

Outra dificuldade que Marco Silva tem tido em gerir a sua equipa prende-se com o arrastar de processos de renovação e aumentos salariais que têm provocado autênticos amuos e comportamentos birrentos de alguns jogadores do Sporting (a permanência de BdC no banco também não ajuda). É algo que acontece em todos os clubes, mas no Sporting existe a particularidade de se repercutir em jogadores que ainda há dois dias não eram ninguém. Qualquer trabalhador que se preze, independentemente da sua profissão, é obrigado a desempenhar a sua actividade com brio e profissionalismo até ao último dia do seu contrato, esteja ou não em causa a sua renovação ou cessação. Isso deveria ser ainda mais evidente para pessoas que ganham milhares de euros por mês.

4. A persistência dos mesmos erros e comportamentos da equipa

Independentemente destes obstáculos, para os quais terá certamente sido alertado, Marco Silva não tem conseguido disfarçar a sua dificuldade em corrigir muitos dos problemas evidenciados pela sua equipa desde o início da temporada. Dificuldade em gerir resultados, em defender bolas paradas defensivas, em surpreender nas bolas paradas ofensivas e em desfazer estratégias ultra-defensivas de equipas de menor dimensão que se deslocam a Alvalade. Esta equipa do Sporting é extraordinariamente irregular e teima em repetir, de forma sistemática, os erros cometidos desde a primeira jornada da Liga, frente à Académica, e assim se explicam os oito pontos perdidos em Alvalade.  Ainda assim, e apesar destes erros, não tenho dúvidas da valia de Marco Silva e do forte contributo que ele pode dar ao Sporting. A equipa joga o melhor futebol do campeonato, tem dinâmicas ofensivas de enorme qualidade (superiores às da temporada passada, por exemplo) e que têm declaradamente o dedo do seu treinador. A sua permanência em Alvalade não pode por isso ser posta em causa, e perdê-lo será um erro tremendo de consequências nefastas para o futuro de Bruno de Carvalho à frente do clube.

 OS PROBLEMAS DESVIRTUADOS 

 1. A responsabilidade da actual direcção na queda dos resultados da formação

A queda nos resultados da formação do Sporting começou ainda no mandato de Godinho Lopes, depois do despedimento de funcionários com anos de casa e preponderantes na estrutura do clube. Para os seus lugares foram contratados elementos pagos a peso de ouro simplesmente pelas ligações de proximidade com a administração, e sem que tenham tido qualquer tipo de resultados. Entrou Bruno de Carvalho e despediu a maior parte deste grupo de pessoas que na internet se tem procurado “vingar” e difundido mitos e fábulas sobre os seus despedimentos. Entre eles o alegado impacto da saída do Director da Academia Pedro Cunha Ferreira, que na realidade nunca tinha trabalhado ao nível da formação, mas sempre em departamentos comerciais e de marketing, e  que entrou em Alvalade…pela mão de Godinho Lopes. A formação do Sporting que durante o mandato de Godinho foi sendo marginalizada vê agora a responsabilidade dos seus pobres resultados ser atribuída a Bruno de Carvalho, há nem dois anos em Alvalade. Ainda assim, a redução significativa no investimento na formação empreendida por este último tem obrigatoriamente de ser temporária, já que é contraproducente baixar valores pagos por jogadores para o plantel profissional e querer assentar um projecto nos jogadores jovens da Academia sem que haja um investimento real neste sector.

 2. A alegada mudança de estratégia na gestão da equipa B

Tem sido muito criticada a gestão da equipa B do Sporting, visando-se um suposto baixo índice de aproveitamento dos jogadores da formação e uma aposta em jogadores de fora que vão para a Academia tapar o lugar dos miúdos lá “nascidos”. Já escrevi também sobre esse assunto, mas volto a insistir na desconstrução deste argumento, na medida em que ele é falacioso e carente de fundamento. Na gestão de Godinho Lopes, nomeadamente na época de 2012/13, o plantel principal do Sporting recrutou 0 jogadores à equipa B (apenas já na tempestade final, quando não havia dinheiro, foram atirados para o plantel de Jesualdo Bruma, Ilori e Dier, todos com contratos por renovar e esquecidos durante os dois anos anteriores). Isto numa época em que foram contratados jogadores de grande aparato mas rendimento desportivo miserável. Quando se critica de forma veemente as actuais contratações do Sporting, importa lembrar nomes como Joãozinho, Boulahrouz, Alberto Rodríguez, Prajnic, Labyad, Rinaudo, Gelson Fernandes, Luís Aguiar, Elias, Jéffren, Bojinov, Diego Rubio ou Ribas. No final de contas, o aproveitamento de alguns grandes nomes deste elenco foi exactamente igual ao de outras de origem mais exótica, como Shikabala. Voltando à equipa B, e aos jogadores contratados para o seu núcleo pela actual direcção e que estão a ser fortemente criticados pela sua alegada falta de qualidade, importa igualmente lembrar nomes como Atila Turan, Julio Alves, Lucas Patinho, Sunil Chettri ou Gael Etock, entre outros. Se hoje existem uns que supostamente tiram espaço a outros, o que se passava então há dois anos atrás? Em 2012/13, Santiago Arias, Turan, Julio Alves, Viola e Chettri jogaram quase exclusivamente na equipa B, num comportamento que é reproduzido, tal como já escrevi, não apenas por Porto e Benfica mas também pelos principais clubes europeus nas suas equipas de reservas. Afinal, o que fazem Steven Vitória, Dawidowicz, Victor Andrade e Rui Fonte na equipa B do Benfica, e Ricardo, Reyes, Opare, Otávio, Campaña, Tiago Rodrigues, Ricardo Pereira e Kelvin na formação secundária do FC Porto? Jogadores como Luís Ribeiro, Tobias Figueiredo, Riquicho, Fokobo, Wallyson, Iuri Medeiros e Podence (os mais talentosos) continuam a jogar na equipa B do Sporting, sem que o seu lugar tenha sido tapado por quem quer que seja. O aproveitamento de jogadores continua, por isso, a ser o mais elevado do futebol português, também um dos mais altos no futebol europeu, e esse é o maior índice da aposta que está a ser feita nos jovens jogadores do clube, ao contrário do que se diz e do que acontece noutros lados.

Vejo, acima de tudo, uma equipa B e restantes escalões de formação mal apoiados e liderados. É notória, por exemplo, a rebaldaria e falta de fio de jogo da equipa agora comandada por João de Deus. O suporte de quem manda, o incentivo a jogadores que estão muito perto de concretizar o sonho de chegar à equipa principal do Sporting, é um trabalho exigente mas fundamental e ao qual Virgílio não tem aparentemente conseguido estar à altura. Bruno de Carvalho não pode estar em todo o lado e uma liderança forte neste sector fundamental do clube é crucial. Mas é também verdade que terá de ser o Presidente o primeiro a detectar esses problemas e proceder à substituição de quem não consegue apresentar resultados.

Considerado o essencial, é preciso que várias das políticas seguidas por Bruno de Carvalho sejam questionadas, que os problemas a corrigir sejam identificados, e que as decisões tomadas sejam portanto postas em causa. Mas não a totalidade do Projecto. Que as suas linhas (que estão presentes num programa disponível para quem o quiser ler) não sejam esquecidas, e todos os objectivos já alcançados não sejam omitidos.

O Sporting habituou-se a ter dirigentes, treinadores e jogadores suicidas, mas também adeptos do bota-abaixo e pródigos em criar ambientes verdadeiramente hostis quando nada o justifica. Está na altura de todos, sem excepção, assumirem as suas responsabilidades.

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???????????????????????????????André Cunha Oliveira

4 thoughts on “SPORTING CLUBE SUICIDA

  1. Retire os pontos do carnide por terem anulado golos limpos aos adversários e depois venha cá falar comigo. Já agora o ano passado no tal empate que refere com o nacional, o Sporting empatou por golo mal invalidado a slimani. coincidências?
    É preciso o Sporting jogar de aguia ao peito para ter os mesmos critérios?
    Mesmo assim o Sporting diminui passivo enquanto colossos engrossam as dividas a olhos vistos.
    Com a proibição dos fundos a partir de 2015, veremos em irá entrar em suicídio.
    Feliz natal e não coma a casca do melão nem as pevides, já basta a indigestão que teve nas últimas 2 semanas.
    Para terminar um comentário do tal presidente perfeito de um colosso em 2003 “o benfica será maior que o Real Madrid”
    Ainda bem que o Real venceu a liga dos campeões e são campeões do mundo 2014.

    • Boa analise que fez a esse suposto? lampião que só quis denegrir a imagem de um clube com mais de um século de história.SL

  2. Muito boa analise a esse suposto lampião? que só fez uma crítica destrutiva do Sporting que apelidou de clube suicida? somos é massacrados por erros de arbitragem escandalosas que nos retiram da luta pelo titulo e entregam de bandeja aos nossos opositores. Somos é roubados.

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