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Já aqui há tempos tinha escrito sobre os problemas decorrentes da política de contenção financeira aplicada por Bruno de Carvalho. O Sporting, por não ter capacidade de investimento, está obrigado a restringir os seus alvos de mercado a um nicho de jogadores que na grande maioria dos casos não estão preparados para oferecer rendimento imediato à equipa.

Também pela chamada “falta de liquidez” o clube leonino não consegue que dirigentes e técnicos consagrados aceitem viajar para Alvalade, dispostos a pegar numa equipa unicamente pelo enorme prestígio e poderio de que esta goza no nosso país. Por não poder pagar centenas de milhares de euros por mês a este conjunto de profissionais devidamente preparados para ganhar, o Sporting não tem outra alternativa que não seja a de se conformar com estes constrangimentos e confiar na competência dos que escolhe. Não existe mesmo uma receita mágica, é preciso esperar e ter paciência, mais nada.

A mesma paciência que os adeptos verde e brancos têm de ter para com o seu presidente, o seu treinador e os seus jogadores, em constante aprendizagem. O problema disto tudo é que a matéria em atraso reflecte-se invariavelmente na tabela classificativa, muitas vezes com todo este processo de crescimento a ser posto em causa de um momento para o outro. O Sporting, desde há longos anos, habituou-se a isso.

Numa determinada época há jogadores que não evoluem como o esperado, ao contrário de outros, que mostram rendimento, pontualmente explodem e são vendidos, e na temporada seguinte o ciclo repete-se e provoca um desencontro entre o talento e a performance desportiva que impede os leões de formar uma equipa vencedora.

No que diz respeito a Presidente e Treinador, que depois de vários tiros nos pés perceberam que a cooperação era a única forma de arrepiar caminho, seria bom que este encontro momentâneo perdurasse para lá da presente época. Só assim o Sporting poderia crescer.

E como para crescer é preciso aprender com os próprios erros, na eventualidade desta reconciliação ser sustentada por alguma continuidade, é fundamental que alguns desacertos da temporada passada não sejam repetidos.

Em primeiro lugar é impensável que o Sporting parta para 2015-16 sem que, uma vez mais, os processos de renovação de alguns dos seus principais jogadores não estejam concluídos. Independentemente da complexidade e da multiplicação de intervenientes nestas negociações, Bruno de Carvalho está obrigado a fechar todos estes dossiês até ao início da pré-época, sob pena de assistirmos a novelas de igual desfecho às protagonizadas por Marcos Rojo, Eric Dier ou Islam Slimani (não havendo as mesmas condicionantes negociais). Aqui incluo também o argelino porque bem sabemos que dentro destes dossiês estão também promessas de aumentos salariais que, a não serem cumpridas, terão certamente o mesmo desenlace dos já referidos. Cédric Soares e Andre Carrillo são dois jogadores fundamentais e relativamente aos quais o Sporting, mesmo num cenário hipotético de venda, deve acautelar-se, prolongando o seu vínculo para lá da próxima temporada e reforçando os seus argumentos em futuras negociações.

Renovação de Andre Carrillo é prioritária.

Renovação de Andre Carrillo é prioritária.

Noutro capítulo, no que diz respeito à política de contratações para esta época, tendo em vista os objectivos de curto prazo estabelecidos, o Sporting também não esteve particularmente feliz. As críticas que apontam para um esbanjamento desarticulado dos parcos fundos disponíveis para investir em novos jogadores são obviamente pertinentes, e as persistentes lacunas da equipa vão no mesmo sentido.

Sabendo que o Sporting volta a ter necessidades por satisfazer, mais ainda depois da saída de Maurício, teria sido importante contratar jogadores que trouxessem um acrescento real e imediato à equipa. Ewerton, um excelente defesa-central, cumpre o primeiro mas não o segundo requisito, naquela é na realidade uma contratação dejá-vu no mercado de Janeiro, depois de no ano passado Augusto Inácio ter trazido o egípcio Shikabala em idêntica deficiência física.

Assumir contratações de alto risco numa altura crucial da temporada, e em que o Sporting mais precisaria de um upgrade para pelo menos conseguir o acesso à Champions, é porventura mostrar, uma vez mais, que ainda não se tem de facto a matéria na ponta da língua. Só a contratação de mais um defesa-central (pronto a jogar), poderá desmentir esta minha premissa.

Finalmente, a estratégia face à manutenção das principais “estrelas” da companhia. Bruno de Carvalho fez um esforço real para manter William Carvalho e Islam Slimani em Alvalade, é verdade, mas foi também displicente, conjuntamente com Inácio, na análise ao plantel e sobretudo ao défice no eixo da defesa. Se esse esforço se mantiver para a próxima temporada, é crucial que a radiografia para 2015-16 seja absolutamente rigorosa, sem qualquer tipo de desleixo. Visões descuidadas e que pequem por defeito podem voltar a deitar por terra as aspirações do Sporting.

Há que ser objectivo e, com um olhar estratégico, dividir os dois principais plantéis do clube (A e B) em dois grupos, diferindo os jogadores acima da média e que estão preparados para o onze titular, daqueles que, tendo qualidade, podem mais facilmente ser rentabilizados fora do radar de Alvalade, pelo menos por agora.

Paralelamente a esta demarcação, é urgente precaver reforços contratuais de jogadores cuja evolução assim o justifique nos tempos mais remotos. Elementos como Tobias Figueiredo, Ricardo Esgaio, Wallyson e Iuri Medeiros têm grande chance de se fixarem no onze de Marco Silva já na próxima temporada, e os vencimentos anteriormente acordados merecerão naturalmente, com grande grau de probabilidade daqui a exactamente um ano, uma compatibilização com o estatuto que entretanto irão adquirir.

No resto, é preciso ser persistente e continuar a caminhar. Contra as críticas dos que rejubilam com os laboratórios do Seixal, e vão em sentido oposto aos seus próprios fundamentos, o Sporting lá vai apresentando onzes iniciais com nove portugueses em campo e oito jogadores da sua formação. Os experts que tanto e com tão prazeroso prazer (o pleonasmo aqui é mesmo necessário) se espumam contra Bruno de Carvalho (mais ainda no último mês pelos argumentos oferecidos pelo próprio), são os mesmos que escrevem crónicas elogiosas e eleitoralistas de apoio ao “projecto” de Luís Filipe Vieira, elogiando o líder do Benfica pela venda de Bernardo Silva ao Mónaco escassas semanas depois de garantir que o médio regressaria a Lisboa.

Há um jornal que está reduzido a órgão de propaganda de LFV.

Há um jornal que está reduzido a órgão de propaganda de LFV.

O mais ridículo é que enquanto continuam a ser comprados para fazer propaganda a cubos mágicos, cuja magia se traduz em 0 rapazes do Seixal no Estádio da Luz, é em Alvalade que os tais 7/8 jogadores da formação vão sendo apoiados e jogando com regularidade e qualidade.

Nota 1– A estratégia é mais que conhecida e os seus protagonistas e intentos já não surpreendem ninguém: a cada ciclo positivo do Sporting, muitas vezes coincidindo com percalços dos rivais, a mesma comunicação social de sempre puxa dos microfones para simular um discurso de optismo e excesso de confiança da estrutura do Sporting que na realidade nunca tem eco nem voz dos seus principais protagonistas. Pegando nas também já habituais personagens desbocadas e sem filtro de sempre, as Rádio Renascenças, vide Bolas Brancas, e as Antenas 1’s servem por isso de altifalante para os restantes jornais criarem as notícias que consequentemente formem uma ideia de um Sporting “confiançudo”, notícias essas que depois se repercutrem num debate nos tradicionais espaços de opinião pública. Basta chamar um Eduardo Barroso, um Rui Oliveira e Costa ou um Rogério Alves para dizer meia dúzia de precipitações e estar então lançada a tese de que o Sporting se (re)assume como candidato ao título (se pelo contrário o cenário fosse de crise, aí então os protagonistas seriam outros “cromos” como Carlos Xavier ou Manuel José). Mas no universo sportinguista essa “peta” já não cai. Sete pontos de distância obviamente que são margem suficiente para afastar qualquer tipo de aspirações, e este suposto optimismo do Sporting mais não é do que um sinal de tremedeira da imprensa encarnada pela pancada de Paços de Ferreira.

Nota 2 – O blackout imposto por Bruno de Carvalho, apesar de “provinciano”, deve servir de lição para o Presidente do Sporting e para toda a estrutura. A gestão do silêncio no futebol é uma regra básica e que permite uma valorização em termos de imagem que a anterior sobre-exposição  não conseguia. Também aqui o dirigente leonino está obrigado a tirar apontamentos para o futuro que evitem a repetição de erros que no passado lhe foram extremamente prejudiciais.

Nota 3 –  Depois da “missão pavilhão”, concluída com êxito, seria bom BdC começar a pensar numa espécie de “missão formação”. Finalizada a reestruturação financeira, é urgente começar a reparar os danos das duas anteriores administrações e, cumprindo o que o próprio anunciou ainda este mês, contratar profissionais com competência para a Academia. Feita a limpeza dos infinitos “boys” que quase destruíram o clube, é vital capitalizar o saber e a experiência das raposas velhas que ainda lá moram e que montaram a melhor escola de formação do país e uma das melhores da europa. Se não houver espaço para isso, que grande parte do investimento que se prepara para entrar em Alvalade sirva para devolver a Academia Sporting ao seu lugar e dessa forma garantir a sustentabilidade desportiva do clube, já que, sem disponibilidade financeira para contratar, essa é a única forma dos leões, como se tem visto, se poderem bater com os falsos ricos do nosso futebol.

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???????????????????????????????André Cunha Oliveira

One thought on “Não repetir os mesmos erros

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