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No meio da crise económica sanguinária de 2008, que arrastou o país para uma situação de extrema dificuldade, algumas cidades portuguesas encontraram espaço para redimensionar o seu lugar no mapa turístico europeu, readaptando a sua oferta a um público exterior com maior poder de compra comparativamente com a generalidade dos cidadãos portugueses mas, ainda assim, também ele com menos dinheiro na carteira em relação ao período de falsa-prosperidade em que a Europa viveu nos anos transactos.

Lisboa, Porto e o Algarve são hoje regiões predominantemente turísticas, todas elas com hotéis, restaurantes, spas, e equipamentos culturais virados para quem nos visita – ora façam o favor de entrar –  mas não para nós, comuns mortais de nacionalidade portuguesa com quilos e quilos de impostos para pagar.

Os espanhóis, os italianos, os franceses, os alemães, os irlandeses, os ingleses e os brasileiros estão completamente apaixonados por Portugal. Perdidos de amor, diria mesmo.

Mas nós não. Estamos cada vez mais cansados deste país, já não o podemos ver à frente, e este desprezo acaba também por ter reciprocidade na forma como Portugal vê aqueles seres insuportáveis que só sabem resmungar e por acaso moram aqui.

É que as campanhas de valorização das cidades de Lisboa e do Porto chegam aos estrangeiros, dispostos a eleger as duas metrópoles nacionais em múltiplas votações para melhor destino europeu, mas não aos portugueses, saturados da progressiva marginalização a que vão sendo sujeitos face aos seus próprios centros urbanos.

Para muitos, é indiferente que Lisboa seja uma cidade fantástica com uma luz única e uma atmosfera inigualável no continente europeu. É indiferente que haja Tejo, Alfama, Chiado, pastéis de belém ou Castel de São Jorge. É indiferente a suposta simpatia dos profissionais da restauração quando a diferença de tratamento entre turistas e portugueses é evidente.

Quando se veda o acesso à capital a carros anteriores a 2000, sob o falso argumento da defesa do ambiente, está-se uma vez mais a deteriorar a relação dos portugueses para com o seu país. Obviamente que isto não afecta turistas, pelo contrário, e só afasta os azarados do costume dos centros de diversão e refúgios do ócio, uma coisa já do antigamente, dirão alguns.

Numa cidade (Lisboa) com significativos problemas de mobilidade, com transportes sub-desenvolvidos (não, o nosso metro não é o melhor do mundo e não chega a todo o lado) e altamente inflacionados tendo em conta o contexto das principais cidades europeias, limitar a circulação automóvel a lamborghinis e Porches Cayennes (com níveis de poluição semelhantes ou superiores a automóveis “pré-históricos”) é persistir na política de segregação social promovida pelos subscritores da austeridade louca e sem limites.

Ter sido o potencial futuro PM, vestido de socialista, a aprovar “isto”, é que também pode dizer muito do que nos espera. O quê? Um prolongamento do sufoco fiscal dos últimos 8 anos, mas agora com o epíteto de «fiscalidade verde».

E atenção, que não é preciso ser fundamentalista para constar o óbvio. Lisboa (e quem fala de Lisboa fala das “outras duas”), é a cidade maravilhosa na qual todos nós nos sentimos em casa. O problema é que muitos de nós, portugueses, estamos cada vez mais afastados dela.

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