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O Benfica perdeu em Vila do Conde e viu o rival directo, o FC Porto, aproximar-se perigosamente. É verdade que, com o empate na Madeira, os dragões não aproveitaram por completo o deslize do líder. Mas não é menos verdade que alcançaram algo que há muito procuravam: com três pontos de desvantagem, passam a depender apenas e só dos seus resultados para a conquista do título. Algo que até aqui só o Benfica se poderia gabar.

Não acredito que o FC Porto vá à Luz eliminar a desvantagem no confronto directo. Assim como não acredito que seja esse jogo, por si só, o decisor deste campeonato. Com a jornada que agora passou, fiquei com a certeza que os dois da frente ainda perderão mais pontos. O Benfica há muito que alterna exibições convincentes na Luz com outras paupérrimas fora de portas. E, se atendermos ao facto de ainda ter que jogar em Guimarães ou no Restelo, adivinham-se mais calafrios para além da recepção ao FC Porto, que é um jogo de tripla.

Já o FC Porto vem também de duas exibições pouco convincentes para o Campeonato (Arouca e Nacional) e a aproximação do dificílimo duplo duelo com o Bayern não promete ajudar. Lopetegui deve promover algumas poupanças, por exemplo na deslocação ao terreno do Rio Ave, três dias antes da recepção aos Bávaros. Já para não falar na cabeça dos jogadores azuis-e-brancos, que estará cada vez mais focada no palco europeu.

Lançada que está a previsão sobre o que falta do Campeonato, debruço-me agora sobre o tema que hoje me traz aqui. O Benfica. O Benfica de Jorge Jesus. Este Benfica de 2014-2015, em particular. Não é de hoje – nunca o escondi neste espaço – a falta de empatia que nutro pelo treinador do Sport Lisboa e Benfica. Considero-o limitado. O seu 4-2-4 ultrapassado vai resultando contra os frágeis oponentes da Liga Portuguesa mas na piscina dos grandes (leia-se Liga dos Campeões), tem sido o que todos sabemos. Para além de limitado, Jorge Jesus junta ainda uma particularidade que o mancha não só enquanto treinador mas também enquanto cidadão: a sua teimosia, a sua casmurrice, o seu egocentrismo. Como treinador, esses traços de personalidade espelham-se nos fetiches que todas as épocas vai tendo, desde os Roberto’s aos Emerson’s ou aos Melgarejo’s desta vida. Para não dar parte fraca, prefere ir até às últimas consequências com as suas embirrações. No final sofre – pois claro – o clube.

Para manter a tradição, em 2014-2015 Jesus lá arranjou os seus protegidos. A bem da verdade, não são propriamente ‘marretas’ como outrora vimos nos onzes titulares encarnados. Mas são jogadores que acumulam erros e exibições fraquíssimas e vão segurando, sem tremer, o seu imaculado lugar no onze. A começar por Eliseu, o elo mais fraco do onze-tipo de 2014-2015, que vai enganando alguns com uns golos vistosos aqui e ali mas que não cumpre o principal requisito de um defesa: defender. Depois de anos a ‘chorar’ por Eliseu, Jesus viu o seu fetiche cumprido e vai com ele até ao fim. Benito nunca teve oportunidades, André Almeida – que sempre cumpriu quando chamado para a posição – deixou de entrar nas contas e o melhor lateral esquerdo do plantel, Sílvio, nem oportunidades teve depois da grave lesão (será que Jesus tem receio que Sílvio prove a todos o quão melhor é que Eliseu?).

Outro com lugar cativo e a viver dos louros de um par de momentos altos de uma carreira já de si longa é o avançado Lima. Está a fazer uma época a roçar o ridículo mas aqueles dois golos no Dragão parece que lhe deram crédito junto dos adeptos para 10 anos. Mas comigo, o crédito há muito que esgotou. Aprecio o seu perfil batalhador, o que oferece à equipa, mas não posso admitir que o avançado da minha equipa falhe golos como aquele que falhou em Vila do Conde ao cair do pano. Era um golo que poderia muito bem valer um título. Lima, aliás, tem esta particularidade de estar ligado a perdidas incríveis que ajudaram a deitar por terra objectivos importantes. Quem não se lembra do lote de falhanços contra o Estoril em 2012, no empate que permitiu ao FC Porto resolver o campeonato no Dragão? Ou da final europeia de Turim? Num Benfica sem lugares cativos, Lima há muito teria experimentado o banco. E, quiçá, seria algo que lhe fizesse bem.

Analisados os fetiches, centro-me nas limitações. À táctica suicida do 4-2-4, forte contra os fracos e fraca contra os fortes, Jesus juntou-lhe uma pitada de masoquismo puro. Em momentos de aperto, essa dupla de meio campo – que já é, por si só, escassa – é desfeita, ficando um único elemento no miolo. Em Vila do Conde, reduzido a 10 unidades, Jorge Jesus tem a brilhante ideia de tirar um de dois médios centro que tinha em campo para lançar um defesa central. Ficou a jogar, literalmente, em 4-1-4. O resultado? O Benfica não só não chega ao golo da vitória como, no contragolpe, acaba por sofrer o segundo golo. Um ponto deitado ao lixo que, feitas as contas, daria agora muito jeito.

Foi azar? Não. Foi a primeira vez? Não. Das outras vezes resultou? Não. Em Paços de Ferreira e em Braga, Jorge Jesus tomou a mesma decisão nos momentos finais dos jogos e o resultado foi exactamente o mesmo nas duas situações: o Benfica não marcou e acabou mesmo a sofrer golos. Passa de dois empates para duas derrotas. Mais dois pontos deitados fora por uma imbecilidade que, admita-se, se vê muito nos campos do Distritalão.

Nestes dois casos particulares, Jesus tirou um dos dois médios-centro para lançar mais avançados. Há maior evidência da limitação de um treinador do que lançar avançados para o campo com a ideia de que mais avançados criarão mais perigo? Há muito que está provado que não é assim. Jesus parece não o saber. Os treinadores do Distritalão, na sua maioria, pelo menos isso já sabem.

A brincar, a brincar, são três pontos deitados ao lixo sem o mínimo pudor. Três pontos que um verdadeiro treinador não perde. Poderia, numa desenfreada busca pela vitória, perder o primeiro. E, admito até que, num acesso de loucura, o fizesse uma segunda vez. Cair três vezes no mesmo erro? Esse recorde fica para Jesus (e talvez não tenham sido mais vezes porque se tem apanhado em apertos poucas vezes para o campeonato…).

Jesus gosta de se comparar com os melhores. Lamenta que não o coloquem no role de melhores treinadores do mundo. Um bom treinador sabe que o Campeonato é uma maratona, não um sprint. “Quando não podes ganhar, evita perder”. Esta é a mentalidade de um treinador com os pés assentes no chão.

Como Benfiquista espero, muito honestamente, que Jesus se sagre bi-campeão no final da época. Haverá, certamente, muito demérito do lado do FC Porto se isso acontecer (o empate na Madeira não acontecia no Porto que me habituei a ver). E, como Benfiquista, espero que no final da época Jesus saia do meu clube. Mas temo, muito seriamente, que o treinador mais perdedor da História do Sport Lisboa e Benfica tenha dado mais um importante passo rumo aquilo que melhor sabe fazer: perder!

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