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Sergio Ramos é um daqueles personagens irritantes do mundo do futebol. Cá em Portugal fala-se frequentemente na chamada boa imprensa, mas no caso do espanhol é mais até do que isso. Um jogador que se impõe no palco mediático da mesma forma que o faz em campo, com muita força e aparato à mistura.

Depois de despontar para o futebol no Ramón Sánchez Pizjuán, Sergio Ramos alcançou o estrelato no glorioso Sevilha de Juande Ramos que em 2005/06 conquistou pela primeira vez a Liga Europa, saltando nessa mesma temporada para o Real Madrid, que por ele pagou na altura cerca de 30 milhões de euros.

Ainda novinho, com apenas 19 anos, Ramos chegou a Madrid em mais uma fase complicada no clube blanco, e numa altura em que a maior parte dos seus colegas de defesa estavam já numa situação de pré-reforma.

Com toda a sua qualidade, que é inequívoca, o central andaluz foi-se conseguindo impor com naturalidade num sector em que Ivan Helguera e Pavón (!) já não davam conta do recado, e onde Salgado e Cicinho também passavam por dificuldades.

Ramos começou por isso num primeiro momento a fixar-se no corredor direito do Real Madrid, até se fixar no centro com a “aposentadoria” dos velhotes que viviam no Santiago Bernabéu.

Naquela que foi a primeira contratação galáctica com carimbo espanhol de Florentino Pérez, o antigo jogador do Sevilha acabou por se tornar um jogador incontestável sobretudo pelo contraste das suas evidentes qualidades comparativamente com as deficiências dos espanhóis que ainda subsistiam em Madrid.

Ainda assim, o colosso espanhol contava com figuras marcantes da sua história, que mesmo que já não apresentassem o rendimento de outras épocas, detinham o controlo total do balneário merengue.

Falamos de Casillas, Roberto Carlos, Zidane, e acima de tudo Raúl. Sergio Ramos, à época, não era absolutamente ninguém. À medida que esta equipa foi sendo desmembrada, e que os peso-pesados do Real deixaram de ter influência no clube, o defesa foi começando a gerir estrategicamente o seu percurso em Madrid. No relvado, sim, mas também, senão sobretudo, nos jornais.

Os símbolos do Real Madrid saíram todos de cena e no Bernabéu restou apenas Iker Casillas, depois de Raúl o jogador mais influente no dia-a-dia do clube. Apercebendo-se disso, Sergio Ramos acoplou-se ao guarda-redes espanhol e desde então os dois formaram um só.

Sem méritos desportivos individuais que o justificassem, Ramos auto-proclamou-se um porta-estandarte do Real Madrid, um estatuto que os dez anos que leva na capital espanhola também ajudam  a maquilhar.

E como, na prática, foi fazendo esta gestão? Cinicamente “dando a cara” nos momentos de crise do clube madrileno, desportivamente aniquilando vezes sem conta todas as ambições dos blancos em pleno relvado.

É que a diferença entre um mau e um bom jogador de futebol está muitas vezes no detalhe. No caso de um defesa-central, esse detalhe então pode ser fatal para o clube que representa. Pese embora o seu poder de antecipação, a sua impulsão, o seu jogo aéreo defensivo e ofensivo, e ainda a sua saída de bola, Ramos está cansado de enterrar títulos em Madrid por falhas de posicionamento e/ou faltas desnecessárias que resultam em golo. Esse pequenino detalhe, que na exuberância do jogo de Sergio Ramos acaba por passar despercebido, é na realidade o factor explicativo para muitas das derrotas mais traumáticas do Real nos últimos anos. E que o internacional espanhol e a sua equipa de assessoria procuram a todo o custo camuflar.

E tudo isto em conjunto com o tradicional jogo inflacionista de renovações de contrato. Neste percurso estrategicamente traçado e acima descrito, Sergio Ramos foi simultaneamente procurando atingir o tal estatuto, para lá do meramente simbólico, económico, de que as principais referências do Real Madrid gozam. As hipotéticas e recorrentes transferências para Manchester foram apenas um dos instrumentos para o conseguir.

De tal forma que o defesa-central se sente hoje o principal porta-voz do balneário, porventura até mais representativo que Casillas, somando intervenções, recados, e mensagens até para com as verdadeiras estrelas do Real Madrid, aquelas que em campo apresentam um rendimento condizente com a história e os pergaminhos do clube espanhol.

As constantes bocas e reparos a personagens com real peso na história do futebol mundial tornam-se ridículas, muito mais do que pelos motivos, pela total ausência de legitimidade de Ramos para o fazer.

Mais ainda depois do golo decisivo na final da Champions de Lisboa, Sergio Ramos é, na sua cabeça, uma referência da história do Real Madrid, daquelas que toda a gente ouve e respeita. Na realidade, falamos de um autêntico alpinista social que conseguiu efectivamente adquirir um estatuto que o seu rendimento em campo nunca chegou a justificar.

Esse é, aliás, o maior ponto de reflexão para o clube madrileno, que não tendo nesta altura referências da formação no seu plantel, à excepção de Casillas, deveria repensar naqueles que vai recrutando no exterior e inexplicavelmente venerando com contratos milionários.

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???????????????????????????????André Cunha Oliveira

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