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Como tem sido habitual nas últimas épocas, o planeamento do Benfica de Jorge Jesus ao nível da pré temporada não tem sido o melhor. Os encarnados iniciam a época com grupos enormíssimos, repletos de atletas que desde a primeira hora se sabe que nunca serão reais opções e com a integração tardia dos verdadeiros reforços acabam por realizar a preparação em plena competição.

Tendo isso em conta, é natural que a equipa numa primeira fase não reaja da forma desejada e os reforços mais sonantes tenham alguma dificuldade em colocar em campo toda a sua valia. Na época passada a grande mais-valia individual de um dos melhores plantéis da história do futebol português e os golos do proscrito Óscar Cardozo permitiram a Jesus não perder o comboio da frente mas foram curtos para fazer boa figura na Champions.

Esta temporada a história é diferente e a performance encarnada assemelha-se em tudo aquilo a que eu chamo: “Campeonato à Porto”.

Independentemente da qualidade indiscutível que ano após ano os plantéis dos azuis e brancos apresentam – assim como tem acontecido com o Benfica nas últimas épocas – é quase cíclico o percurso quem fazem na liga.

Época após época, os azuis e brancos entram nas primeiras jornadas com várias caras novas à procura de adaptação – por vezes com timoneiro novo – e as dificuldades de crescimento vão sendo sanadas com vitórias magras, muitas vezes obtidas com vários erros de arbitragem – até na era Villas-Boas foi assim – penaltis descabidos, expulsões estapafúrdios e uma protecção especial aos atletas portistas de que os oponentes não gozam.

Como em qualquer equipa, as vitórias galvanizam e dão confiança e tranquilidade para desenvolver um bom trabalho. Se os intervenientes tiveram a competência que normalmente mora no Dragão, mais facilmente os azuis e brancos atingem os seus objectivos. Pelo meio à sempre uma congestão que afasta os emprestados do confronto com a casa mãe, um amarelo que impede um futuro atleta portista de defrontar o futuro emblema e peripécias de bastidores, que a juntar à natural evolução que as boas equipas têm num ambiente de vitória, tornam a equipa de Pinto da Costa praticamente imbatível.

Não é uma forma de ver futebol na qual me reveja e durante muito tempo foi essa ideia – errada – que os responsáveis do Benfica quiseram passar. Contudo os comportamentos recentes da direcção encarnada dentro e fora de campo mostram apenas um clube virado para a vitória a qualquer custo, qual Porto, e pouco preocupado com a transparência que supostamente apregoava.

Se é verdade que a irregularidade leonina tem sido patética e que o milionário Porto de Lopetegui deveria fazer melhor, também não deixa de ser verdade que sem os erros de arbitragem que beneficiaram constantemente os encarnados, esta época teríamos um campeonato muito mais competitivo com azuis e vermelhos a lutar taco a taco até ao fim.

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O caso Miguel Rosa/ Deyverson uma velha táctica portista aperfeiçoada nos encarnados.

Como desonestamente nos habituou, o clube do Norte tem mantido a estratégia dos emprestados e futuras aquisições que anteriormente citei, contudo a diferença entre os jogos em que foi favorecido e aqueles em que acabou prejudicado é estranhamente ténue, o que apesar de anormal não deixa de ser bom. Teríamos um torneio muito mais transparente se fosse assim com todos os emblemas.

Nos domínios da Luz ao contrário da época anterior onde erros a favor e contra foram em número semelhante, esta época a balança tem privilegiado de forma abusiva o clube presidido por Luís Filipe Vieira.

Num estilo “À Porto” os encarnados repletos de caras novas em fase de adaptação foram beneficiadíssimos nas primeiras rondas e numa fase intermédia do campeonato com uma panóplia de erros muito vasta: golos mal anulados aos oponentes; penaltis inexistentes e golos irregulares a favor; sem esquecer as expulsões mal ajuizadas a favor, que no sentido oposto, por norma, foram esquecidas – a dupla Samaris e Enzo esteve em destaque neste quesito.

A eliminação precoce na Liga dos Campeões mostrou uma equipa em pré-época em plena competição que mesmo estando num grupo, que apesar de complicado era totalmente acessível, não teve na Champions os “argumentos” internos que lhe permitissem pelo menos chegar à Liga Europa.

Os esquemas com jogadores emprestados – outra triste política portista – imperaram com fartura como se viu por exemplo nos confrontos com Paços de Ferreira ou Belenenses – neste caso ainda mais vergonhoso já que os atletas impedidos de defrontar as águias nem sequer pertenciam ao clube da Luz.

A equipa encarnada como costuma acontecer para os lados do Dragão, naturalmente galvanizou-se com as vitórias que foi acumulando, ganhou confiança e neste momento está em grande forma rumo ao bicampeonato. Justo? Não sei, mas sujo e triste com certeza.

Sujo porque é demasiado evidente tudo o que se passou dentro de campo, já para não falar dos Duques fora dele e triste porque esta época é machadada final na utópica mudança do futebol português, já que o único clube com força para a fazer preferiu associar-se ao sistema vigente.

Os constantes elogios aos árbitros de Jorge Jesus quanto estes erram a seu favor, ou as críticas quando o Benfica perde mesmo que de forma limpa a juntar à triste campanha #colinho lançada pelo clube da Luz para ironizar quem critica o favorecimento de que é alvo só demonstram o quanto as vitórias cegam quem supostamente tinha princípios. O que se está passar na Luz ocorre há anos no Dragão e aqueles que se opunham – adeptos e imprensa mais encarnada – afinal parecem gostar. Fica a pergunta: E se fosse o Porto?

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SONY DSCBruno Gomes

One thought on “E se fosse o Porto?

  1. E se o FCP fosse uma pouco mais eficaz, fazendo render o excelente plantel que tem?
    Essa conversa do favorecimento dos árbitros ao Benfica serve apenas justificar a ineficácia do FCP e o desnorte do “Sporting Clube do Bruno de Carvalho”. Que tal transformar-se a campanha anti-futebol eficaz do Benfica numa petição a exigir-se que se retirem ao SLB os pontos equivalentes, em número, aos pontos desperdiçados pelo FCP e SCP, juntos?

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