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[artigo originalmente publicado no blog Aliteração em H]

Escolhe-se um grupo de dez ou doze políticos e seus associados.
Vão buscar-se para o programa a dada hora, sem que o esperem e em directo, para potenciar as audiências.
Depois disso, encerram-se num tribunal envidraçado. Ao confessionário pode chamar-se “calabouço”, por conveniência mediática.
De hora a hora, fazem-se ligações directas ao tribunal, onde se vai fazendo com que os concorrentes desfilem à frente das câmaras, em ângulos apertados e se possível meio encobertos para que a noção do segredo seja maior. Deve ser desenvolvido um intenso trabalho de estúdio, porque no local nada se passa nem nada se deve passar.
O ideal é até que não se oiça a voz dos concorrentes; é preferível que se reúna um painel de comentadores que vá puxando o público para um lado e para o outro. Um pelotão de jornalistas deve estar constantemente a tentar invadir o espaço do concurso, para que se mantenha no público a sensação de uma iminência que não existe.
Uma vez por semana, preferencialmente em prime time, pede-se ao público que vote em quem quer ver na prisão. Ao contrário dos habituais reality shows, neste não importa muito manipular a votação: todos os concorrentes já estão condenados e o último a sair não será, evidentemente, celebrado numa gala de domingo.

Hugo-line-drawing-papHugo Picado de Almeida

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