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O Palavras ao Poste anda mais parado que a malta que faz o “mannequin challenge”. Mudaram-se os tempos – não as vontades – e com o feliz acréscimo de responsabilidades a disponibilidade para escrever foi escasseando.

Este fim-de-semana houve tempo e bastante vontade e em vez de procurar uma qualquer rede social decidi jogar em casa. Tudo isto a propósito da morte de Fidel Castro.

Comandante, ditador, líder, estadista, libertador, revolucionário… Múltiplas definições, todas totalmente divergentes e que denotam a ambiguidade histórica que marcará para sempre a memória do reinado de Fidel.

Sempre que morre um político lá vem alguém – normalmente um colega de profissão – alertar-nos que a história se encarregará de julgar o falecido. A história não pode nem julga líderes políticos. Quem o faz são os povos que estes serviram ou dos quais se serviram.

Na imprensa internacional e no bate boca mundano Castro tem sido coroado como anjo e demónio a uma velocidade impensável e é isso que pede uma reflexão.

Percebo o mundo que sorri à esquerda, onde o comandante é visto apenas como o herói revolucionário que libertou Cuba. A imagem de uma sociedade justa, fraterna e igualitária que o comunismo e a revolução cubana ofereciam foi o fio de esperança de um geração que ambicionava crescer num mundo melhor, marcado pela integridade. Alguns desses pensamentos foram vitoriosos com a ascensão do regime cubano nomeadamente na saúde e educação.

Do outro lado da moeda estão aqueles que atacam o regime autoritário, ditador, violento, opressor que matou milhares de dissidentes, afastou vozes contrárias e ainda hoje é um silenciador da opinião pública – em Portugal vivemos isso há muitos anos atrás com os resultados e as manifestações de reprovação que se conhecem.

De fato há verdades incontornáveis dos dois lados do muro mas eu infelizmente nunca estive em Cuba, não sou cubano e muito menos comunista. Confesso que admiro os ideais por trás da doutrina mas não acredito que esse movimento utópico seja efetivamente funcional numa sociedade de homens livres. Duvido que fosse um homem realizado vivendo no modelo idealizado pela revolução cubana e como gosto de me expressar livremente e ter alguns pequenos luxos prefiro deixar as considerações sobre Fidel Castro a todos aqueles que basearam o seu percurso de vida nos moldes do histórico comandante e a todos os cubanos que sentiram na pele os efeitos da revolução. São aqueles que choram em Havana e festejam em Miami os responsáveis pelo juízo final. Só os teus te podem julgar Fidel.

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SONY DSCBruno Gomes

One thought on “Só os teus te podem julgar

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